O Dia 24 Horas

Funcionários da Cedae voltam a protestar contra privatização da empresa

Trabalhadores da empresa se concentraram no Largo do Machado e seguiram para o Palácio Guanabara, sede do governo estadual

Rio - Funcionários da Cedae realizaram, na tarde desta terça-feira, um novo protesto contra a privatização da empresa, proposta pelo Governo Federal. O grupo se concentrou no Largo do Machado e seguiu para o Palácio Guanabara, sede do governo do Estado. Os sindicalistas foram recebidos por representantes do governo por volta das 15h20. O trânsito ficou complicado na região.

Os organizadores do evento esperaram reunir pelo menos 10 mil pessoas no ato, número estimado que chegou o último protesto da categoria no Centro do Rio, dia 6, segundo número deles. O trânsito apresentou congestionamento para quem seguia para a Zona Sul pelo Túnel Santa Bárbara, de acordo com o Centro de Operações Rio. A via já foi reaberta, mas os motoristas ainda encontram retenções.

Além disso, houve trânsito intenso no Viaduto 31 de Março, sentido Botafogo, no Viaduto Jardel Filho e nas ruas Bento Lisboa, Pedro Américo, Conde de Baependi, do Catete e Senador Vergueiro. Quem se desloca do Centro para a Zona Sul deve optar pelo Aterro do Flamengo ou Túnel Rebouças. A Rua Pinheiro Machado, em Laranjeiras, foi totalmente reaberta às 17h.

Manifestantes fazem protesto na frente do Palácio Guanabara contra a privatização da Cedae Divulgação

A manifestação reuniu diversos movimentos sindicais de trabalhadores que atuam na Cedae, como STIPDAENIT (Água e Esgoto de Niterói), SINTSAMA (Água e Esgoto do Rio), STAECNON (Saneamento do Rio), Senge-RJ (Engenheiros do Rio) e SINAERJ (Administradores do Rio). Paulo César Quintanilha, do Conselho Fiscal do Sindicato dos Engenheiros no Estado do Rio de Janeiro (Senge-RJ) mostra indignação com a medida proposta pelo Governo Federal. 

"A gente não entende porque o governo quer privatiziar a Cedae, já é superavitária (dá lucro). A gente tem uma empresa que dá lucro e agora querem privatizar. O pior é o discurso dizendo que precisa da iniciativa privava, que não entra com nenhum tostão", desabafou.

Quintanilha teme que, se concluída a concessão da Cedae via parcerias público-privadas (PPPs), o consumidor é que sofra as consequências. "Isso é motivo de muita preocupação. Se privatizar, vai ter um aumento brutal das tarifas, pois eles trabalham sob a lógica do lucro. Essa bomba vai estourar na mão de quem não pode pagar", acredita.

De acordo com Jorge Muniz, um dos representantes da Cedae na reunião, o secretário estadual da Casa Civil, Leonardo Espíndola, afirmou que o governo não tem intenção de privatizar a Cedae. "Ele disse que existe um estudo de parcerias públicos e privadas em regiões como São Gonçalo e Baixada Fluminense. A Cedae é fundamental para a receita do estado e para o saneamento", completou Jorge, acrescentando ainda que representantes da empresa devem se reunir com o governador em exercício, Francisco Dornelles, na semana que vem.

Governos estudam privatização

A iniciativa do ato se deu após o governador em exercício enviar no dia 19 de agosto um ofício pedindo a inclusão da empresa  no Programa de Parcerias e Investimentos (PPI) do Governo Federal, instituído pela Medida Provisória 727, feita pelo presidente da república, Michel Temer, no dia 12 de maio de 2016.

Com a medida, o estado do Rio seria dividido em quatro áreas de concessão dos serviços de água e esgoto via parcerias público-privadas (PPPs), mantendo a Cedae para produção e entrega de água para as concessionárias privadas comercializarem. Os sindicatos argumentam que as PPPs não irão resolver os problemas de saneamento do Estado e alegam que a medida vai encarecer as tarifas.

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