Por paulo.gomes
Publicado 24/06/2013 14:12 | Atualizado 24/06/2013 14:15

Rio - Instituições de ensino como Faetec e Unisuam oferecem cursos gratuitos para formar padeiros e confeiteiros, carreiras que passam por um ‘apagão’ de mão de obra qualificada. Faltam três mil profissionais nessas áreas, de acordo com o Sindicato dos Trabalhadores das Indústrias de Panificação e Confeitaria do Rio. Logo, quem procura capacitação, encontra vaga. E os que estudam acham oportunidades com remuneração de até R$ 4 mil, dizem especialistas do setor.

A Unisuam terá%2C ainda neste ano%2C mais um curso para formar padeiros gratuitamente no Estado do RioDivulgação

A Faetec, vinculada à Secretaria Estadual de Ciência e Tecnologia, tem cursos profissionalizantes de padeiro, auxiliar de cozinha, confeiteiro, cozinheiro industrial e salgadeiro. As aulas são ministradas em 16 centros de ensino da fundação, em regiões como: Morro do Alemão, Mangueira, Bangu, Cidade de Deus, Jacaré, e nos municípios de Duque de Caxias e São Gonçalo, entre outros. Informações pelo número (21) 2332-4085.

Outra opção é o curso profissionalizante e também gratuito de Gastronomia da Unisuam, em parceria com a Gastromotiva. O projeto tem duração de quatro meses e é voltado para jovens de 17 a 35 anos, com renda familiar de até três salários mínimos (R$ 2.034). As aulas começam dia 24 e vão até setembro, com encontros de segunda a sexta-feira. Vale ficar por dentro e fazer a inscrição em www.gastromotiva.org. Mais informações em (21) 2280-8094.

Quem tem propriedade para falar de qualificação é Daniel Paulo, gerente-geral da Confeitaria e Padaria Seu Zé, que fica na Lapa, no Centro do Rio. Dois de seus funcionários, Anderson Martins, de 27 anos, e Naldo Pereira, 40, passaram muito tempo investindo em formação. Hoje, o primeiro é confeiteiro e o segundo, padeiro e chefe da cozinha do estabelecimento.

“Para contratar, buscamos gente interessada em estudar, que tenha modos higiênicos na rotina de trabalho e que saiba trabalhar em equipe”, destaca o gerente Daniel Paulo. Segundo ele, esses são os pilares para exercer as funções de padeiro e confeiteiro.
Daniel Paulo ressalta que profissionais sem qualificação só dão mais trabalho. O ideal, ressalta o gerente, é contratar gente que queira, de fato, subir na carreira.

Município sofre com falta de padeiros capacitados

Atualmente são sete mil padeiros que trabalham em todo o Município do Rio, de acordo com Carlos Jorge, secretário-geral do Sindicato dos Trabalhadores das Indústrias de Panificação e Confeitaria do Rio. O número ideal de profissionais seria de 10 mil, o que abre demanda de três mil para os próximos anos. No total, a área soma 20 mil trabalhadores, incluindo confeiteiro e salgadeiro.

Muitas empresas valorizam candidatos que moram perto do estabelecimento. Dessa forma, é possível dispensar o gasto com vale-transporte ou até vale-alimentação, pois o funcionário lancharia no próprio local de trabalho.

Logo, vale procurar emprego nas proximidades de casa. Carlos Jorge também ressalta que os eventos internacionais, como a Copa do Mundo de 2014 e os Jogos Olímpicos de 2016, estão provocando bons resultados no setor.

“Empresários investem bem nos estabelecimentos, criando lugares mais requintados. Nesses locais, o ganho é bom. Em breve, a demanda por padeiros só vai aumentar”, avalia.

Para ter sucesso, é preciso diversificar no estudo

Naldo correu atrás de estudo por 20 anos e hoje coordena funcionáriosPablo Vallejos / Agência O DIA

Na versátil Padaria e Confeitaria Seu Zé, onde Daniel Paulo é gerente, há um profissional que não mediu esforço para subir na carreira. Naldo Pereira Feitosa, de 40 anos, hoje é padeiro e chefe da cozinha do estabelecimento, mas teve que ralar bastante. Ao longo de 20 anos, ele se aperfeiçoou em cursos gratuitos e pagos, além de muito trabalho.

E ele reforça: quanto mais estudo, maior será a remuneração.

“Algumas pessoas reclamam do salário, da profissão, mas a verdade é que se recebe o salário compatível com os cursos e a experiência que se tem”, ensina Naldo.

Quando entrevistado pela reportagem, o padeiro e chefe de cozinha cuidava de quatro fogões industriais, administrava assistentes e ainda tinha tempo de avaliar a produção. A resposta para tanta habilidade é ter apostado em cursos diferentes ao longo dos anos: “Comecei como confeiteiro e padeiro e depois, diversos outros”.

Saiba mais sobre a carreira

1 - Nada de esperar uma rotina como outro trabalho qualquer. Ser padeiro demanda outras características, que muitas profissões não têm. Antonio Luis, professor de Panificação na Faetec, dá mais detalhes sobre o que esperar dessa atividade.

2 - Para o professor, o padeiro de sucesso precisa se basear em três pilares: gostar de cozinhar, saber trabalhar em equipe e ser um profissional que está atualizado quanto às tendências do mercado. “É preciso se ligar também na entre safra, produção de trigo e ingredientes, entre outros. Não basta mais só fazer o pão”, afirma.

3 - Antonio Luis explica que o pão francês deixou de ser o ‘prato principal’ de uma padaria. Hoje, é preciso conhecer e se aprofundar bem mais: “O freguês vem querendo pães com sementes nutritivas, ingredientes integrais, entre outros pedidos”.

4 - O professor da Faetec também assegura que a rotina diária de um padeiro consiste em horários diferenciados. Em estabelecimentos mais modernos, há tecnologias que fermentam os alimentos ao longo da madrugada e os deixam prontos para o cliente pela manhã. Porém, muitas padarias ainda não têm esse equipamento.

5 - “Isso faz com que aumente a demanda por padeiros que trabalhem de madrugada, em um turno de 22h às 5h. Isso costuma afastar alguns candidatos. A cozinha muito quente é outro agravante”, diz.

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