Por bferreira

Rio - A polêmica ‘guarda provisória’ de animais silvestres começou a valer no Brasil, na última quinta-feira. A resolução do Conselho Nacional de Meio Ambiente (Conama) permite que bichos que não podem ser criados em cativeiro, quando flagrados pela fiscalização ambiental, permaneçam com os seus ‘donos’ até que os órgãos do governo tenham condições de levá-los.

Defensores da resolução dizem que muitas vezes os bichos morrem após apreendidos pela fiscalização%2C que não tem para onde levá-losiStockphoto

Para representantes da organização Rede Nacional de Combate ao Tráfico de Animais (Renctas), a medida incentiva a prática de crimes como o tráfico de animais. “Trata-se de uma forma de premiar aqueles que cometeram um ato contra o meio ambiente”, afirmou o coordenador geral da ONG, Dener Giovanini, que participou de audiência pública na Câmara dos Deputados, dia 17.

A CADA DEZ, UM MORRE
Publicidade
Segundo a Renctas, de cada dez animais traficados, apenas um sobrevive. São comercializados no Brasil, por ano, 4 milhões de bichos selvagens, dos quais 82% são aves, como papagaios ou araras. Também estão na mira mamíferos (1%) e répteis (3%)
Chefe de Operações Especiais da Polícia Ambiental de São Paulo, Marcelo Robis argumenta que a resolução do Conama preserva a vida dos bichos. “Hoje os animais morrem nas mãos da fiscalização. Às vezes, apreendo uma espécie e não tenho para onde levá-la”, disse, segundo noticiou a Agência Câmara. O debate na Câmara foi realizado a pedido do deputado Arnaldo Jordy (PPS-PA), relator de projeto do deputado Ricardo Tripoli (PSDB-SP) que anula a norma.
Publicidade
Outras organizações que participaram da audiência, como a Mira Serra, afirmaram que a resolução do Conama define critérios para o destino temporário de animais silvestres que não têm onde ficar após serem apreendidos, “já que o poder público não tem condições de mantê-los adequadamente.”
Segundo o capitão Robis, os abrigos das instituições de defesa estão sempre superlotados. Ainda de acordo com o policial, muitas vezes “o jeito é deixá-lo (o animal apreendido) em um quartel de polícia, onde provavelmente morrerá.” A resolução do Conama estabelece 15 critérios de destinação dos bichos apreendidos: o último é deixá-lo com a pessoa que o adquiriu de forma ilegal. Robis destacou que, mesmo quando a fiscalização permitir o depósito doméstico, a pessoa vai receber auto de infração.
Publicidade
Principal rota é Nordeste-Sudeste
O Brasil é um dos principais alvos dos traficantes da fauna silvestre devido à sua biodiversidade, segundo o Conselho Federal de Medicina Veterinária. Estima-se que o tráfico de animais selvagens movimente 200 bilhões de dólares em todo o mundo, anualmente: é a terceira mais rentável atividade ilícita do mundo, perdendo para o tráfico de drogas e de armas.
Publicidade
De acordo com levantamento da Renctas, o tráfico retira 38 milhões de animais da natureza por ano, sendo 80% aves, no Brasil.
A maioria dos animais é proveniente das regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste. O destino são as regiões Sul e Sudeste, para onde os bichos seguem em maioria pelas rodovias federais. Nos estados nordestinos é comum a presença de pessoas, nas margens das rodovias, comercializando esses animais. Algumas cidades brasileiras ganharam fama como fornecedoras de fauna silvestre para o comércio ilegal, entre elas destacam-se: Milagres, Feira de Santana, Vitória da Conquista, Curaçá, Cipó (todas no estado da Bahia), Belém (PA), Cuiabá (MT), Recife (PE), Almenara (MG) e Santarém (PA).
Publicidade
Os principais destinos deste animais, dentro do Brasil, são os estados do Rio de Janeiro e São Paulo, onde são vendidos em feiras livres ou exportados por meio dos principais portos e aeroportos dessas regiões. No exterior, os bichos vão para Europa, Ásia e América do Norte.
Publicidade
Você pode gostar