Aquecimento global já causa efeitos destrutivos

Relatório de instituição internacional que monitora o problema indica quais são as ameaças às populações e atividades econômicas em todos os países

Por thiago.antunes

Rio - Não, o aquecimento global não é mais aquele conceito distante, de algo que vai acontecer “um dia”. Os efeitos das mudanças climáticas já são sentidos em diversos países e regiões do mundo. O alerta é do Relatório sobre Impactos, Adaptação e Vulnerabilidades às Mudanças Climáticas, divulgado semana passada pelo IPCC (Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas). O Brasil, por ter dimensões continentais, é afetado de diferentes formas.

As situações mais graves são as inundações nas áreas urbanas e a escassez de água nas regiões áridas. Outros pontos delicados são a produção de alimentos, cuja quantidade e qualidade são afetadas, e a saúde. “Socialmente, o Nordeste é muito vulnerável. Há riscos à irrigação, à geração de energia e à segurança alimentar da região”, alertou José Marengo, pesquisador do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) e um dos 1.719 autores do relatório, segundo informe da ONU Brasil.

Seca no Nordeste precisa de soluções definitivas%2C e não apenas temporárias%2C alertam especialistas Severino Silva / Agência O Dia

Sobre as áreas costeiras, ele chamou a atenção para a ocorrência de fenômenos como o branqueamento de corais, provocado por alterações de temperaturas nos mares. Marenga também mencionou que os governos devem se preparar, especialmente nas cidades de Santos e do Rio de Janeiro, para os custos que a elevação do nível do mar pode causar às estruturas portuárias.

“Não existe uma fórmula mágica de adaptação. Se a Argentina desenvolve toda uma estratégia de agricultura, ela não pode ser aplicada na Índia ou no Brasil. Cada lugar tem que desenvolver sua própria estratégia de adaptação territorial”, diz.

Segundo ele, uma das principais mensagens do relatório do IPCC é justamente a de que as mudanças climáticas já estão afetando as populações. “Não vamos precisar esperar mais 20 ou 30 anos para ver a ocorrência de eventos climáticos extremos, como inundações ou secas intensas e ondas de calor, como as que temos observado no Brasil nos últimos anos”, alertou, como relatou a Agência Fapesp.

Infográfico mostra distribuição de recursosReprodução

Desafios para a América Latina

O relatório do IPCC apontou como desafios para a América Latina, devido às subidas de temperatura em torno de 2 a 4 graus até 2100: escassez de água em áreas semiáridas, cujo abastecimento depende das geleiras; inundações em áreas urbanas, devido a grandes chuvas; e queda na quantidade e qualidade de alimentos produzidos.

As saídas, diz o documento, seriam melhorar a distribuição de água e a exploração da terra; tomar medidas contra as inundações, implantando sistemas de alerta e prevenção; e desenvolver cultivos resistentes à seca.

Um dos exemplos citados é o Nordeste do Brasil, onde foi implantado programa de agricultura de subsistência e de melhoramento de plantas adaptadas às mudanças climáticas. Mas, segundo Marengo, as ações têm de ser permanentes, para solucionar, de forma definitiva, os problemas que afetam a população.

“Isso está acontecendo no Brasil de forma lenta. A população no Nordeste é afetada frequentemente pela seca, um problema que sempre ocorreu na região”, analisou. Uma das medidas de adaptação à seca que têm sido implementadas no Nordeste é a construção de cisternas para acumular água de chuva, exemplificou ele. Mas, quando a seca perdura muito tempo, não há sequer como captar água.

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