Por bruno.dutra

Logo pela manhã foi divulgado o Índice de Confiança da Indústria, medido pela Fundação Getúlio Vargas, que caiu 3,2% em julho, na sétima queda consecutiva. Pela avaliação do superintendente adjunto de Ciclos Econômicos da FGV/Ibre, Aloisio Campelo, já se pode dizer que o desempenho da indústria de transformação no segundo semestre vai continuar lento. A expectativa para o ano é de um recuo de 3%. À tarde, foi a vez de o Fundo Monetário Internacional mostrar seu desânimo em relação ao Brasil. Num informe sobre a conjuntura internacional, o FMI voltou a incluir o país no grupo dos “cinco economias emergentes frágeis”, em companhia de Turquia, Índia, Indonésia e África. Para o Fundo, o Brasil se mostra vulnerável e deve sofrer consequências com a mudança da política monetária nos Estados Unidos. Pode enfrentar, por exemplo, aumento dos juros e forte queda nos preços das commodities.

Como o FMI já errou muitas vezes, é possível que erre de novo. Além disso, não é de hoje que a instituição multilateral demonstra má vontade com o Brasil. O futuro dirá se o país merece ou não ser incluído entre as economias mais frágeis do planeta. Já em relação à confiança dos empresários, não há como deixar de levá-la em consideração. O índice bateu no menor nível desde abril de 2009 e reflete a percepção de gente que está com a mão na massa. Quando os industriais consideram que a produção vai continuar a cair até dezembro, devem saber o que estão dizendo. É difícil acreditar que o setor produtivo esteja usando tintas fortes demais com o objetivo de desgastar o governo nesse período eleitoral, em que está em disputa o Palácio do Planalto. A indústria não investe porque vê horizonte de incerteza à frente. A própria equipe econômica do governo parece conformada e já trabalha com PIB em torno de 1,5%.

Quem não está feliz com este cenário é a presidente Dilma Rousseff. Em entrevista à “Folha de S.Paulo”, ela afirmou que “o mesmo pessimismo que ocorreu com a Copa está havendo (agora) com a economia”. E advertiu que “com a economia é mais grave, porque a economia é feita de expectativas”. Dilma também disse que a inflação não está descontrolada e garantiu que o índice não vai ultrapassar o teto da meta de 6,5%: “Se você considerar a inflação anualizada, eu te asseguro que ela ficará abaixo do limite superior da meta”. Aproveitou uma resposta para descartar qualquer mudanças no comando da política econômica, mas admitiu que a crise de 2008 foi subestimada e ainda hoje tem efeitos perversos (“Nenhum país se recuperou”).

Dividida entre o exercício da Presidência e a candidatura à reeleição, é natural que Dilma se esforce para espantar os fantasmas que rondam a economia brasileira. Sem dúvida, a expectativa dos agentes econômicos é um fator fundamental para o crescimento. Mesmo diante dos números e das previsões negativas, é de se esperar que a presidente faça o possível para vender otimismo. Estranho seria se ela concordasse com a avaliação do FMI e incluísse o Brasil entre os “Cinco Frágeis”. Alguns críticos disseram que a comparação do desempenho da economia com o período que antecedeu a Copa do Mundo é descabida. Pode até ser. Mas se a presidente Dilma Rousseff não injetar ânimo nos empresários e nos consumidores, quem o fará? Certamente não serão os candidatos da oposição.

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