Por marta.valim

Na avaliação dos responsáveis pela campanha da reeleição da presidente Dilma Rousseff, o clima de pessimismo que está envolvendo a economia brasileira não se justifica, é artificial. Seria resultado de desinformação alimentada pelos partidos da oposição e também por empresários que não são e nunca foram simpáticos ao governo. Como diz a própria presidente, a verdade vai prevalecer no final das contas. Falarão mais alto as realizações de seu governo. Ela saiu à frente da propaganda partidária e garantiu, em discurso aos filiados da CUT, que seu governo não fez ajustes mais fortes na política econômica porque dá prioridade aos trabalhadores assalariados e à manutenção dos níveis de renda e de emprego. Essa é a verdade de Dilma.

Confiante em seu modo de governar, a presidente sequer sinaliza com futuras mudanças no comando da economia. Não quer nem de longe passar a impressão de que foram cometidos erros estratégicos. Vai reforçar que, ao contrário dos adversários, o PT dá ênfase às conquistas sociais e ao bem-estar das famílias. Se os gastos públicos aumentam e há desequilíbrio fiscal, é um custo imposto pela ênfase na qualidade de vida das classes menos favorecidas. Os críticos do governo pertencem à elite e ao mercado financeiro, setores que não têm sensibilidade para os problemas da grande maioria da população. Este é e será o discurso da reeleição.

Resta saber se vai dar certo. Há dúvidas. Para o professor Paulo Kramer, entrevistado nesta edição do Brasil Econômico, o fator que pode derrubar Dilma em outubro é exatamente a economia. Se os sinais de recessão na indústria se confirmarem e chegarem a ameaçar o nível de emprego, a conjuntura negativa poderá pesar no bolso dos eleitores. Nesse caso, diz Kramer, haverá reflexo negativo no eleitorado que permanece fiel à presidente. Por enquanto, ela permanece como favorita. Na opinião do experiente professor, os empresários, quando consultados, dizem que vão votar em Aécio Neves, mas reconhecem que Dilma deve ser reeleita.

Leia também: 'O que pode derrubar a Dilma é a economia', diz Paulo Kramer

É o que dizem as pesquisas — principalmente no cenário de segundo turno, quando a vantagem de Dilma sobre Aécio e Eduardo Campos ainda é bem grande. Mas seria ilusão acreditar que a presidente está satisfeita com os resultados da política econômica. Está claro, a esta altura, que a economia brasileira perdeu fôlego e tornou-se mais vulnerável. Estatísticas decepcionantes são divulgadas a cada dia. As contas externas entraram em declínio, com exportações em baixa acelerada. As contas do setor público também exibem seus piores resultados da última década. Enquanto isso, a indústria brasileira se debate numa de suas piores crises. O peso do setor no PIB caiu abaixo de 15%, num cenário decepcionante. E não há no horizonte sinais de reação. Ao contrário, a taxa de investimento entrou em queda nos últimos meses, pondo fim à crença de que estava ocorrendo mudança na qualidade do crescimento, com o investimento substituindo o consumo.

A economia deixou de responder aos incentivos de Guido Mantega e Alexandre Tombini. Desoneração fiscal e ampliação do crédito não surtem mais efeito, diante da desconfiança de empresários e consumidores. No próprio PT, já se especula sobre futuros candidatos a ministro da Fazenda. Mesmo os otimistas apostam que, se Dilma for reeleita, haverá troca de guarda na economia.

Uma assinatura que vale muito

Contribua para mantermos um jornalismo profissional, combatendo às fake news e trazendo informações importantes para você formar a sua opinião. Somente com a sua ajuda poderemos continuar produzindo a maior e melhor cobertura sobre tudo o que acontece no nosso Rio de Janeiro.

Assine O Dia