Por bruno.dutra

Também na esfera estadual, observam-se páreos duríssimos, como mostrou arte sobre as últimas pesquisas publicada na edição de ontem do Brasil Econômico. A exemplo do sensacional mano a mano entre a presidente Dilma Rousseff e o senador Aécio Neves, há um quadro acirrado de empate técnico na corrida pelos governos do Pará, de Rondônia, do Ceará e do Mato Grosso do Sul. As diferenças são mínimas, todas dentro da margem de erro de 2%. No Acre, no Amazonas e na Paraíba, a vantagem dos líderes também é muito pequena e a vitória no domingo não está garantida. Tudo pode acontecer na última hora e viradas não serão motivo de surpresa.

Em alguns dos estados, a ameaça paira sobre políticos que ganharam projeção nacional seja pela atuação no Executivo, seja no Congresso. É o caso, por exemplo, do senador Eduardo Braga (PMDB), ex-governador do Amazonas e líder do governo Dilma, que, nas últimas pesquisas, aparece atrás de José Melo, do Pros, que assumiu o governo em abril, quando Omar Aziz deixou o cargo para se candidatar ao Senado.

Também chamam a atenção as dificuldades do experiente senador Delcídio do Amaral (PT) no Mato Grosso do Sul. Político dos mais atuantes em Brasília, Delcídio tem 49% dos votos válidos contra 51% do deputado federal Reinaldo Azambuja, do PSDB, agropecuarista que tentou se eleger prefeito de Campo Grande em 2012, mas foi derrotado.

A situação do governador Tião Viana (PT) no Acre não pode deixar de ser mencionada. A família Viana e o PT dominam o governo estadual há vários anos. Irmão de Tião, Jorge, que hoje é senador, foi governador por dois mandatos seguidos, de 1999 a 2006. Agora é Tião quem busca a reeleição, porém com um adversário no seu caminho: o petista tem 53% contra 47% de Marcio Bittar (PSDB).

Quem é Marcio? Ex-pecuarista, de 51 anos, o tucano é deputado federal e passou pelo PMDB e o PPS, no qual ficou até 2009 (na juventude ele foi filiado ao Partidão). Concorreu ao Senado em 2002, a prefeito de Rio Branco em 2004 e a governador em 2006, mas perdeu todas as disputas. Agora, tenta quebrar a hegemonia dos irmãos Viana.

Se a eleição de ilustres petistas corre risco (no Rio Grande do Sul, Tarso Genro já é considerado um caso perdido), quadros graúdos do PMDB também enfrentam sufoco. Presidente da Câmara e filho do ex-governador Aluísio Alves, o deputado Henrique Eduardo Alves, do alto do décimo-primeiro mandato, era barbada na eleição ao governo do Rio Grande do Norte. Mas está levando um susto de Robinson Faria (PSD), que presidiu a Assembléia Legislativa de 2003 a 2010.

No Ceará, quem vive maus momentos é o senador Eunício de Oliveira (PMDB), que foi ministro das Comunicações no primeiro governo Lula. Fiel apoiador da presidente Dilma, ele contava que Lula ficasse longe de seu confronto com o petista Camilo Santana. Mas não conseguiu. Eleito deputado estadual com votação recorde em 2010, Camilo foi secretário de Desenvolvimento Agrário e lidera a disputa com 51% dos votos válidos.

Curiosamente, como destacam analistas, Eduardo Braga, Henrique Eduardo Alves e Eunício Oliveira pertencem à ala do PMDB que apoia a reeleição de Dilma Rousseff. A presidente vai bem, mas eles vão mal. Coisas da política, que de racional não tem nada.

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