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Por monica.lima

Para ninguém dizer que não falei de flores, dedico este dia seguinte do Natal a um tema mais ameno do que o baixo crescimento da economia e o escândalo da Petrobras. É tempo de festas e vale a pena esquecer, por breve momento que seja, as dificuldades que aguardam a presidente Dilma Rousseff no seu segundo mandato. Hoje, portanto, não vamos nos preocupar com o centro da meta da inflação, nem com o futuro de Maria das Graças Foster. Que ninguém se atreva também a remoer a humilhante goleada de 7x1 que nos tirou pela segunda vez a possibilidade de conquistar uma Copa do Mundo no Brasil. Não é dia de tristeza. É dia de alegria. Que tal falar da conquista espetacular do paulista Gabriel Medina? Ao fazer história no Havaí, o menino de São Sebastião lavou a alma brasileira. Foi a salvação da pátria no apagar das luzes de 2014.

Com apenas 21 anos, Gabriel carregou nas costas (ou na prancha) uma responsabilidade enorme. Poucas vezes se viu tanta esperança na vitória de um profissional de esporte individual. Desde a penúltima etapa do WCT (World Championship Tour) em Estoril, os meios de comunicação começaram a abrir espaço para as chances de o Brasil conquistar seu primeiro título mundial de surfe. Tivemos grandes surfistas, como Teco Padaratz, Fábio Gouveia e Victor Ribas, mas nenhum deles conseguiu conquistar a coroa. Desde 1977, quando o sul-africano Shaun Thomson levou o troféu, os campeonatos foram dominados por americanos e australianos. Agora seria diferente. Repórteres foram enviados a Lisboa para acompanhar o feito de Medina. Mas ele não se saiu bem e a comemoração foi adiada.

Veio, então, a última etapa do WCT no templo máximo do surfe – a praia de Pipeline – e novamente a tropa de jornalistas seguiu os passos de Gabriel. Seus dois adversários eram o campeoníssimo Kelly Slater e Mick Fanning, que buscava o bicampeonato. E se desse no garoto o mesmo branco que deu na seleção do Felipão contra a Alemanha no Mineirão? Ele conseguiria resistir à pressão? Ou afundaria na águas do Havaí, palco de incontáveis vitórias de Slater? As ondas não eram ideais e adiaram a disputa. A expectativa transformou-se em angústia. Mas Gabriel manteve-se em regime de concentração máxima. Respeitado pelos veteranos, técnica é o que não lhe falta. Havia, porém, o risco da imaturidade, mais ainda no desafio na praia dos outros. O resto já se sabe. O americano Slater, em dia de principiante, foi o primeiro a sair do páreo. Depois, o australiano Fanning também entregou os pontos.

Com uma festa jamais vista em Pipeline, Gabriel Medina tornou-se o primeiro brasileiro campeão mundial de surfe. Aqui no Brasil muita gente que nada entende de surfe encheu-se de orgulho. O menino da praia de Maresias, de certa maneira, repetiu o feito de Gustavo Kuerten na França em 1997. O caiçara é tão simples quanto o manezinho de Florianópolis. A única diferença é que o primeiro dos três títulos de Guga no Aberto de Roland Garros foi surpreendente. Ele era um azarão. Mas os dois impressionam pela espontaneidade e têm o principal apoio na família. Foi entre os seus que eles encontraram forças. Guga dedicava suas vitórias à mãe, ao irmão e à avó. Gabriel, também cercado pela mãe e pelos irmãos, disse que fez várias promessas. Todas terão de ser cumpridas pelo seu padrasto.

O Brasil precisa de bons exemplos. E tem um novo herói no esporte. Salve Gabriel Medina!

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