Por monica.lima

Gilberto Kassab orientou colegas de partido a coletar assinaturas para a formação do Partido Liberal com a ideia de que a nova legenda auxilie seu grupo políticoABr

Articulada com estardalhaço pelo presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB), a proibição de fusão de novos partidos é vista como uma medida que já surgiria inócua. É o que garante um parlamentar ligado à criação de uma nova legenda. Segundo ele, os novos partidos serão criados e atuarão em blocos legislativos como satélites de outros já existentes. A decisão tem uma razão prática: quando um partido se funde a outro, a porta fica aberta também para parlamentares que desejam sair. Ou seja, o articulador da fusão pode atrair novos deputados, mas perder outros correligionários. Além de Cunha, outro mentor do projeto contra a fusão é o líder do DEM, Mendonça Filho (PE). Ambos tentam conter principalmente os avanços do ministro das Cidades, Gilberto Kassab, presidente do PSD.

O ministro orientou colegas de partido a coletar assinaturas para a formação do Partido Liberal, com a ideia de que a nova legenda auxilie seu grupo político. Os parlamentares do PR ajudam o Muda Brasil com o mesmo intuito. O DEM teme que ambos lhe tirem mais parlamentares. O partido foi um dos que mais se enfraqueceram quando Kassab deixou suas fileiras e anunciou a criação do PSD. O PMDB também vê a movimentação com preocupação e acredita que o Planalto usa a criação das duas novas legendas como forma de enfraquecê-lo. O PMDB comanda hoje as duas casas legislativas nacionais, além de ter a Vice-Presidência da República, com Michel Temer. O assunto deve ser discutido na recém-criada comissão especial de reforma política, que vai tratar também de outro tema caro a Cunha: as formas de financiamento de campanha.

PT contra a “antirreforma Vaccarezza”

A função principal da comissão da reforma política será a análise da Proposta de Emenda Constitucional (PEC) 352/13, elaborada por um grupo de trabalho coordenado pelo ex-deputado Cândido Vaccarezza (PT-SP). O texto final provocou polêmica entre os petistas, pois o parlamentar, que não se reelegeu, apresentou um relatório contrário às posições do partido no tema. Rival de Vaccarezza e Cunha, o ex-líder do governo na Câmara Henrique Fontana (PT-RS) discursou contra a PEC, tratada por ele como a “antirreforma”. Para ele, o projeto tenta manter o financiamento de campanha por empresas, ameaçado por uma ação da OAB no STF.

Parada no STF

Com seis votos contrários ao financiamento de campanha por empresas e um favorável, a análise da ação no STF está suspensa desde abril, quando o ministro Gilmar Mendes pediu vista. Henrique Fontana também pediu que o ministro permitisse a conclusão da votação.

Haddad orientou tese sobre Unger

Novamente ministro da Secretaria de Assuntos Estratégicos do governo federal, o professor da Faculdade de Direito de Harvard Roberto Mangabeira Unger conta com um especialista em sua produção intelectual no meio político. O prefeito de São Paulo, Fernando Haddad (PT), foi orientador das teses de mestrado e doutorado do pesquisador Carlos Sávio Teixeira sobre o autor, ambas defendidas em 2004, na Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da USP.

Trabalho sobre o pensamento de FHC

Além de Mangabeira Unger, Haddad também foi orientador de uma dissertação sobre as teorias político-econômicas do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB). O prefeito paulistano é professor licenciado (sem remuneração) da instituição e deve voltar a dar aulas no próximo mês, em um curso de pós-graduação em Ciências Políticas. Ele vai tratar de “política e economia na cidade” e não será remunerado pelas aulas, apresentadas uma vez por semana, pela manhã.

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Com Leonardo Fuhrmann

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