Por monica.lima

Eduardo Cunha e Renan Calheiros querem fazer o oposto do Palácio do Planalto, paralisado pelos problemas econômicos e sem iniciativaFabio Rodrigues Pozzebom / Abr

O ajuste fiscal poderá ser incluído na "pauta expressa" que Senado e Câmara vão propor para votar a reforma política e medidas destinadas a melhorar o clima para os negócios, segundo parlamentar envolvido na negociação sobre o assunto. A intenção de Renan Calheiros e Eduardo Cunha é dar respostas rápidas à crise por meio da política. Querem fazer o oposto do Palácio do Planalto, paralisado pelos problemas econômicos e sem iniciativa. Estão incomodados com as manifestações, que cobram mudanças de governantes e parlamentares, a respeito de assuntos de várias naturezas. Têm pressa. Precisam ocupar o espaço deixado pelo governo.

O Congresso tem pressa 2

Os formuladores da pauta expressa explicam que nos Estados Unidos, o Congresso utilizava um mecanismo conhecido como “fast track”, que permitia ao presidente da República, em situações especiais, negociar acordos internacionais sem interferência do poder Legislativo. Depois da decisão tomada, o Congresso aprovava ou rejeitava em bloco, sem emendas. Na experiência que se tentará aqui, ocorreria o contrário. Câmara e Senado votariam uma lista de temas importantes, com ampla liberdade de atuação, mesmo que algum item contrarie os planos do Palácio do Planalto. E o ajuste fiscal talvez se imponha à frente da reforma política como prioridade.

O problema continua 

A MP do salário mínimo que a presidente Dilma Rousseff enviou ao Congresso para evitar que o Planalto sofresse outra derrota, pode ter sido um tiro na água. A intenção do governo era impedir a extensão do mesmo índice de reajuste do salário mínimo a aposentados e pensionistas. O prazo do governo para reverter a situação acabaria na semana santa. A MP deu apenas mais tempo para os aposentados continuarem irritados com o governo. Não impede que ela seja derrotada.

Autonomia do presidente

Ninguém é maluco de enfrentar o presidente da Câmara, Eduardo Cunha. Mas os líderes dos partidos, principalmente da oposição, já entenderam que a propalada autonomia do Legislativo na verdade é a “autonomia de Cunha”. As reuniões para discutir a agenda da Câmara foram esvaziadas. O presidente tira e põe os itens na pauta na hora que quer, como fez com o projeto de lei do salário mínimo. Muitos deputados queriam ir para o voto, apostando na vitória.

Rumo à Península Ibérica

O vice-presidente Michel Temer viaja a Portugal e Espanha, entre 19 e 24 de abril, para estreitar as relações comerciais do país com a Península Ibérica. Vai contar com a companhia dos ministros Kátia Abreu (Agricultura) e Eliseu Padilha (Aviação Civil). Caberá a Katia melhorar a receptividade de portugueses e espanhóis aos produtos brasileiros. Padilha vai manifestar o interesse de companhias nacionais pela TAP, que passa por um novo processo de privatização. Aos olhos do governo português, a iniciativa é extremamente positiva, já que Lisboa é uma das candidatas à porta de entrada do Brasil na Europa.

Uma assinatura que vale muito

Contribua para mantermos um jornalismo profissional, combatendo às fake news e trazendo informações importantes para você formar a sua opinião. Somente com a sua ajuda poderemos continuar produzindo a maior e melhor cobertura sobre tudo o que acontece no nosso Rio de Janeiro.

Assine O Dia