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Houve uma época em que as famílias se preocupavam menos em repreender os professores e mais em corrigir os filhos

Por karilayn.areias

Rio - Agressões a professores têm  se tornado uma constante nas escolas brasileiras. Recentemente, uma professora de Santa Catarina foi agredida por um aluno de 15 anos. Segundo ela, a violência continuou com ataques na internet, organizados por pessoas que achavam merecidos os socos recebidos por ela, em razão do “seu posicionamento político” e por ser “feminista”.

Mostrando seu rosto ensanguentando e o olho roxo pelos golpes desferidos, Marcia Friggi afirmou que não poderá se calar “diante das manifestações de ódio”.

“Dilacerada” foi a expressão que usou para definir como se sente. Esse fato, assim como os demais nas mesmas condições, nos obriga a pensar acerca do descalabro que a profissão docente sofreu nas últimas décadas. Consequentemente, ocorre um esvaziamento nas licenciaturas e nos cursos de pósgraduação, não somente em razão da crise econômica, mas também porque é difícil conquistar novos estudantes e formar talentos diante de tamanho desprestígio.

A depreciação começa pelo tratamento oferecido pelo Poder Público. O magistério, essencial no processo de formação de uma nação, é tratado de forma desrespeitosa, com salários indignos diante do protagonismo do seu papel.

Soma-se a esse fato a mudança de postura das famílias, que a cada dia dão mais poder aos seus filhos. Crianças e adolescentes estão desaprendendo a conviver com os limites e com o “não”.

Houve uma época em que as famílias se preocupavam menos em repreender os professores e mais em corrigir os filhos.

Não é infrequente ver pais apoiando incondicionalmente seus rebentos, quando estes são contrariados de alguma forma na escola: o professor não pode dar nota baixa, não pode exigir, não pode exercer sua autoridade, não pode educar. É algo que a psicologia tenta explicar quando diz que genitores projetam para suas proles aquilo que gostariam de ter sido, mas não são. 

Uma das mais valiosas características da docência é o afeto. Muitos neurocientistas, pesquisadores e teóricos da Educação defendem a sua presença nas diferentes dinâmicas de ensino e aprendizagem.

Trata-se de um elemento pedagógico significativo, material ou imaterial, imprescindível para o aprendente e, na atual conjuntara, também para o ensinante. A Educação precisa dos nossos afetos. 

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