Por ADRIANA CRUZ
Publicado 27/09/2017 18:00 | Atualizado há 3 anos

Apontado como o chefe do grupo de policiais militares do Batalhão de Operações Especiais (Bope) que vazava informações das operações da unidade para bandidos do Comando Vermelho (CV), o caveira Silvestre André da Silva Felizardo, o Corinthians, foi condenado a 80 anos de prisão na Auditoria da Justiça Militar. Os outros integrantes da tropa de elite da PM Maicon Ricardo Alves da Costa, André Silva de Oliveira e Raphael Canthé dos Santos ganharam penas que totalizam 48 anos de prisão. Rodrigo Mileipe Vermelho Reis foi absolvido por maioria de votos do Conselho Permanente de Justiça da PM.

O promotor Décio Alonso informou que irá recorrer da decisão que absolveu Reis. E mais: quer aumentar as penas, o confisco dos bens e a perda do cargo dos acusados, além de ressarcimento dos danos ao estado. No julgamento, o promotor defendeu que os militares "deturparam e expuseram o Bope e seus colegas de farda, diminuindo o crédito social ostentado pela unidade", afirmou Alonso.

A relação dos caveiras com traficantes foi revelada pela operação denominada 'Black Evil', (Mal Negro, em inglês, referência à farda do Bope), deflagrada em dezembro de 2015. Interceptações de áudios e mensagens, com autorização da Justiça, revelaram que os militares mantinham contato com traficantes das favelas Faz Quem Quer, da Covanca, Jordão e Barão, em Jacarepaguá; Antares, em Santa Cruz; Vila Ideal e Lixão, em Duque de Caxias; Complexo do Lins, no Méier e Complexo do Chapadão, em Costa Barros. Segundo as investigações, eles recebiam de R$ 2 mil a R$ 10 mil, por semana, em cada comunidade para repassar diariamente as operações feitas pelo Bope.

As investigações apontaram ainda que os policiais negociavam com traficantes armas apreendidas em operações. A defesa dos réus alegou que eles são inocentes.

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