Nova rebelião em Goiás

Presídio de Aparecida de Goiânia está sob domínio de facções, admitem autoridades

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Cármen Lúcia, presidente do STF, inspecionará Presídio de Aparecida
Cármen Lúcia, presidente do STF, inspecionará Presídio de Aparecida -

Detentos do Presídio de Aparecida de Goiânia, em Goiás, onde nove pessoas foram assassinadas na segunda-feira, realizaram uma nova rebelião na noite de ontem, logo depois de uma vistoria do Poder Judiciário e do Ministério Público. Segundo a PM de Goiás, não houve feridos e a situação se acalmou por volta de 21h.

Na auditoria, os presos relataram a autoridades que os agentes não têm controle sobre a cadeia, e sim as facções criminosas rivais. O próprio secretário da Segurança Pública e Administração da Penitenciária de Goiás, Ricardo Balestreli, admitiu o descontrole.

O motim foi resultado de um confronto entre os dois grupos e "tudo começou com uma ala atacando a outra". Para os sindicalistas, é mais um capítulo da guerra entre o Primeiro Comando da Capital (PCC) e Comando Vermelho (CV) por espaços no crime organizado e no comando das penitenciários.

Os presidiários contaram ainda que sequer conseguem dormir, pois não fazem parte de disputas, mas temem ser atacados a qualquer momento", descreveu a inspeção.

Uma vistoria na terça-feira já havia constatado as "precárias condições" da unidade, incluindo "falta constante de água e luz nos pavilhões e acomodações".

CÁRMEN LÚCIA

Na próxima semana, a presidente do Supremo Tribunal Federal (STF) e do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), ministra Cármen Lúcia, vai pessoalmente fazer uma inspeção no presídio. Uma "blitz" na cadeia do Acre também está nos planos.

Na quarta-feira, a Justiça de Goiás autorizou que os detentos do presídio com emprego e trabalho externo sejam dispensados da obrigação de passar as próximas dez noites no local. Conforme a decisão, a Superintendência Executiva de Administração Penitenciária (Seap) deve colocar tornozeleiras eletrônicas em cerca de 480 presos.

No motim do dia 1º, dois mortos foram decapitados e vários corpos, incendiados. Mais de 200 presos fugiram. Cerca de 80 estão foragidos.

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