Por JONATHAN FERREIRA jonathan.ferreira@odia.com.br

Rio - O Cefet-RJ negou, ontem, que tenha incentivado pais de candidatos brancos a declararem seus filhos como afrodescendentes para ingressar na instituição de ensino. A denúncia foi feita por pelo menos nove pais de alunos, conforme o Informe do DIA divulgou na véspera. Os pais dos candidatos, no entanto, protocolaram requerimento na secretaria da instituição afirmando que a empresa Exatus PR, contratada para realizar a prova, incluiu estudantes que se declararam brancos no grupo que pleiteava o ingresso por meio das cotas para afrodescendentes. A prova ocorreu em 10 de dezembro, mas o problema só foi descoberto no ato da matrícula, na semana passada.

Diante do impasse, a instituição de ensino teria orientado alguns pais a preencherem uma declaração afirmando que os filhos eram afrodescendentes. Uma das mães ouvidas pelo

, que pediu para ter a identidade preservada por temer represálias, conta que o professor Luiz Laranjeira disse que a autodeclaração não acarretaria em problemas futuros e garantiria o ingresso dos alunos. "Olha, nunca vi uma sindicância aqui, não vai dar problema nenhum. Ele disse isso em alto e bom som", afirmou a mãe de uma das candidatas.

 

Laranjeira confirmou que recebeu pais de candidatos nos dias 9 e 10 de janeiro, mas negou que os tenha incentivado a autodeclararem-se negros. Ele afirma ter informado aos pais sobre a existência de uma comissão cuja incumbência é analisar esses casos. Laranjeira afirmou que orientou os responsáveis que se sentiram prejudicados a abrir um processo administrativo na instituição.

O Cefet-RJ descartou um possível erro no sistema, alegando que 114 alunos da rede pública não tiveram seus cadastros associados a cotas para afrodescendentes. A instituição alegou que os pais dos alunos podem não ter lido o edital de forma atenta.

 

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