Leo conta que passaram usar cristais de terceira linha para economizar - Daniel Castelo Branco / Agência O Dia
Leo conta que passaram usar cristais de terceira linha para economizarDaniel Castelo Branco / Agência O Dia
Por GUSTAVO RIBEIRO

Cortar tecido é especialidade de Leonardo Leonel, o Leo, 33 anos, e Leandro dos Santos, o Pedrão, 34, os bambas da alta costura da Marquês de Sapucaí. Mas, neste ano, a dupla precisou aprender a lidar com outro tipo de corte: o de grana. É que, com a subvenção da prefeitura reduzida em 50%, as escolas 'choraram' mais. Responsáveis pelas roupas dos mestre-salas e porta-bandeiras de sete das 13 escolas do Grupo Especial, além de casais da Série A, musas e rainhas, os estilistas repintaram 80% das penas usadas nos anos anteriores e misturaram pedrarias luxuosas com imitações.

Segundo Leo, as escolas diminuíram de 30% a 40% seus investimentos nos figurinos em comparação a 2017. O Ateliê Aquarela Carioca, em Vila Isabel, do qual os dois são sócios, produz os casais do Salgueiro, Mangueira, Mocidade, São Clemente, Paraíso do Tuiuti, Vila Isabel e União da Ilha. Para algumas delas, a empresa também desenvolve as fantasias de segundo e terceiro casais.

"Tudo foi reduzido, do material à mão-de-obra. No Grupo Especial, as escolas gastaram de R$ 20 mil a R$ 30 mil em penas no ano passado. Esse ano só mandaram tingir as antigas. Mudou de azul para preto, de rosa para vermelho. Estamos fazendo muita reciclagem. Penas que eram de rainha viraram de porta-bandeira, depois de rainha", revelou Leo.

Desde a fundação do ateliê, há 15 anos, Leo e Pedrão preferiam trabalhar com cristais Swarovski, de primeira linha. Em 2018, apelaram para os de terceira linha. "Eu só usava Swarovski, que é austríaco, top, o mais caro. No ano passado comecei a usar segunda linha, a Preciosa Lian. Neste ano já tive que pular para terceira linha, de cristal chinês, japonês, imitação e outras coisas que a gente teve que criar para dar efeito nas roupas e não gastar tanto", explicou Leo. De acordo com ele, o total de um casal de mestre-sala e porta-bandeira, somando material e mão de obra, chegava a R$ 100 mil até o ano passado.

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