Por paulo.gomes
Publicado 03/06/2013 14:58 | Atualizado 03/06/2013 14:59

Rio - Profissões como geógrafo, educador, engenheiro,consultor e advogado são as que mais dão a oportunidade de viajar a trabalho. Além destas, quem constrói carreira em áreas como esporte e entretenimento também podem conhecer outras cidades, estados e países. Essa oportunidade é um passaporte para explorar novos lugares longe de casa, mas requer muita ética e responsabilidade para sua execução.

Em suas viagens a trabalho, Érika conhece projetos em comunidades da AmazôniaDivulgação

Receber um convite para trabalhar em outro estado ou país é, muitas vezes, a maior oportunidade na carreira de um colaborador, senão, aquela que o alavancará. Essa é a opinião da especialista em carreiras Ana Paula Alves, destacando que viajar a trabalho pode estimular o profissional: “Seja qual for o cargo que ele irá exercer, força, disciplina, profissionalismo e inteligência emocional farão parte dos seus novos talentos”. Apesar de ser um privilégio transitar a trabalho, não é tão simples e luxuoso quanto parece.

A rotina em movimento

Para Tamires Romano, educadora na Hera Coach, é preciso conhecer um novo ambiente, uma nova cultura e se adaptar a uma realidade distante do lar. “Além disso, montar seu horário é fundamental para cumprir os prazos e continuar produzindo, mesmo longe de seu escritório original”, destaca Tamires. A especialista explica que alguns profissionais trabalham na filial, em um escritório no local de destino, ou ficam em hotéis alugados pela empresa.

Independente do local onde fique baseado, o profissional precisa se acostumar com uma rotina em movimento. Daniel Rocha Maia, 31 anos, sócio da Rocha Maia Advogados, conheceu diversos estados do Brasil — vai abrir, inclusive, um escritório em São Paulo —, além de países como Alemanha, França, Estados Unidos e Argentina. “Tudo isso foi resultado de muito esforço, que me levou a fazer negócios em lugares fora da minha cidade, do meu estado e país”, afirma o advogado.

Quem viaja a trabalho também não vive só de correria. A analista de Sustentabilidade Érika Queiroz, 33, que está há três anos viajando pela Amazônia pelo Fundo Vale, prova isso. “Conheci lugares com belezas únicas, com um dia a dia bem diferente. Além disso, minha rotina não envolve estada em hotéis, mas sim, viajar de canoa para os projetos apoiados pelo fundo”.

Tecnologia se faz essencial

Quem vai ficar longe do escritório vai precisar de aparatos para se reportar aos superiores ou equipe. A tecnologia também é aliada na hora de manter contato com familiares, sendo essencial para manter vínculo apesar das viagens.

Taiwan foi um dos lugares que o professor Rubens Oda visitou por meio da Olimpíada Brasileira de BiologiaDivulgação

Esse é o caso de Rubens Oda, de 36 anos, professor e coordenador da Olimpíada Brasileira de Biologia. Ele se desloca pelo país inteiro e tem, vez ou outra, a América do Norte como um de seus principais destinos, em função de congressos e eventos.

“Costumo dizer que quando me ausento do escritório levo a empresa nas costas. Ou seja, vou munido de notebook, tablet e smartphone. São ferramentas que dão suporte para ficar conectado, a todo o instante. É uma vida acelerada, mas faz parte”, reflete o professor. Apesar da tecnologia, ele recomenda, é preciso ser responsável e organizado para não se perder fora do escritório.

A rotina é de constante mudança

As relações mais prejudicadas com viagens profissionais são os relacionamentos amorosos e a relação com os filhos. A constatação é da psicóloga Daniela Faertes, que vê um caso recorrente no mercado.

Essa é uma situação que o gerente de Engenharia da alemã Ruhrpumpen, Fabiano Cândido, 34, está dominando. Ele precisa ir até a sede internacional da empresa a trabalho. “Tenho três filhos e um lado meu fica aqui no Rio quando vou para a Alemanha, apesar do contato por meio das tecnologias”, conta o executivo.

Além dessa sensação, Daniela Faertes destaca que há um um descompasso entre nosso relógio biológico e as atividades de rotina: “Essa constante mudança dificulta que as pessoas tenham rotinas saudáveis em relação à alimentação, sono e exercícios físicos”.

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