Por thiago.antunes

Rio - Quando uma abelha se aproximar de você querendo ‘provar’ seu suco ou refrigerante, nada de pegar o chinelo. Espante-a com muita suavidade, e lembre-se: este inseto está sumindo da face da Terra e isso ameaça até mesmo a sobrevivência da Humanidade. Segundo recente reportagem do ‘The Guardian’, um dos motivos para este desaparecimento, constatado por especialistas da Agência Europeia de Segurança Alimentar, é o uso excessivo de agrotóxicos (neonicotinóides). Há suspeitas de que a substância cause a morte de abelhas ou provoque lesões como a perda de olfato e de orientação no espaço.

“De todas as espécies que estão sendo vítimas do crime de ecocídio – como tubarões, elefantes, rinocerontes, gorilas, onças – as abelhas são as mais fundamentais para a alimentação humana e a sobrevivência da Humanidade. Três quartos das culturas alimentares do mundo dependem de polinização por insetos, sendo que as abelhas são as agentes mais fundamentais neste processo”, afirmou ao Ecodebate José Eustáquio Diniz Alves, doutor em demografia e professor titular do mestrado em Estudos Populacionais e Pesquisas Sociais da Escola Nacional de Ciências Estatísticas – ENCE/IBGE.

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Segundo ele, diversos estudos mostram que o uso de produtos químicos está provocando a Síndrome do Colapso das Abelhas — abandono repentino e massivo de colmeias. As empresas químicas condenam os estudos e dizem que a proibição dos inseticidas neonicotinoides seria inócua. Nos EUA e Europa, afirma Alves, há redução de até 50% no número de colmeias. O Brasil caiu da 5ª para a 10ª colocação mundial em exportação de mel nos últimos dois anos, devido ao abandono das colmeias no Nordeste, principal região produtora. Em 2012, alguns estados registraram queda de 90% na produção e o abandono de colmeias de 60%.

Representantes dos apicultores brasileiros e do Ministério do Meio Ambiente também apontam como culpados os neonicotinoides. “Abelhas saem e não voltam para as colmeias porque perdem orientação. Ou não acham as flores a ser polinizadas porque não têm olfato”, explicou o presidente da Confederação Brasileira de Apicultura, José Cunha, segundo a Agência Câmara.

Brasil discute proibição de agrotóxico

O Brasil, assim como países da Europa, proibiu o uso de agrotóxicos neonicotinoides. Mas tramita na Câmara projeto de decreto legislativo que prevê a suspensão da medida, decidida pelo Ibama.
“A queda (da produção de mel) no Nordeste reflete diretamente nas exportações nacionais. A região é uma das maiores produtoras e exportadoras do país”, explicou Maria de Fátima Vidal, coordenadora de estudos e pesquisas do Etene (Escritório Técnico de Estudos Econômicos do Nordeste), em matéria da Agência Deutsche Welle.

Além do uso de agrotóxicos, estão por trás do sumiço das abelhas no Brasil bactérias e a seca que castiga o Nordeste há mais de dois anos. Cerca de 46 mil pequenos apicultores em nove estados nordestinos vivem da atividade e, juntos, respondem por 40% da produção de mel no país – em épocas com índice normal de chuva.

O Banco do Nordeste prevê que o problema não deve melhorar até o ano de 2015. Neste ano, as perspectivas de pouca chuva estão se confirmando e, para o próximo, mesmo que haja precipitação normal, a recuperação das colmeias deve ser lenta.

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