Por tamyres.matos

Rio - No teste para avaliar a saúde dos oceanos, o mundo e o Brasil até passaram... mas raspando. Numa escala de zero a 100, a nota global ficou em 65 e a do nosso país apenas um ponto acima, 66. Para tentar traçar a verdadeira situação dos mares, equipe internacional de pesquisadores, universidades e ONGs criou o Índice de Saúde do Oceano. A nota é baseada na avaliação de dez fatores, entre eles biodiversidade, limpeza das águas e oportunidades de pesca artesanal.

Nestes três quesitos, o Brasil até que se saiu bem: tirou 86, 85 e 99, respectivamente. Mas em outros aspectos, como provisão de alimentos, levou bomba: 24. Pior foi a nota em produtos naturais (capacidade de exportação de produtos como peixes ornamentais, óleo de peixe, algas e conchas): 15. As notas mundiais também ficaram baixas: 33 e 31.

Clique na imagem abaixo para ampliar o infográfico:

Índice de saúde do oceanoArte O Dia

SEGURANÇA ALIMENTAR: RISCO

“A baixa pontuação em provisão de alimentos indica que a segurança alimentar está ameaçada, particularmente naquelas partes do mundo que dependem de frutos do mar como uma fonte de proteína de alta qualidade”, avaliou Andrew Rosenberg, diretor do Centro para Ciência e Democracia na União dos Cientistas Comprometidos, segundo publicou o Instituto Carbono Brasil.

O país também decepcionou no quesito turismo, em que são avaliadas a porcentagem da mão de obra ligada ao turismo marítimo e a sustentabilidade da atividade. “Para um país com dimensões oceânicas e o potencial do Brasil, a nota (34) posicionada em torno da média mundial (39) indica que existe muito espaço para um gerenciamento mais eficaz dos oceanos”, afirmou André Guimarães, diretor executivo da Conservação Internacional, que participa da formulação do índice.

Outro destaque do levantamento foi mostrar que a riqueza de um país não garante qualidade dos oceanos. Há pouca relação entre o PIB e as notas.

O Índice de Saúde do Oceano foi desenvolvido com contribuições de mais de 65 especialistas. Os criadores da análise são a Conservação Internacional, National Geographic e o New England Aquarium.

Um mês no Pacífico: raros peixes e nenhum pássaro

Numa recente travessia pelo Oceano Pacífico, da cidade de Melbourne (Austrália) até a província de Osaka (Japão), o iatista australiano Ivan Macfadyen ficou estarrecido. Na viagem, que durou quase um mês, entre março e abril, nenhum pássaro apareceu, simplesmente porque não havia peixes que os atraíssem. “O oceano faliu”, concluiu o navegador, em entrevista ao ‘Newcastle Herald’.

Dez anos antes, Ivan fizera a mesma jornada. “Havia muitos pássaros. Eles ficavam seguindo o barco, às vezes pousavam no mastro antes de levantar voo de novo. Em 28 dias, não houve um só em que não pescássemos um bom peixe para comer com arroz. Desta vez, só pegamos dois”, lamentou.

Segundo o australiano, o que mais chamou atenção nesta travessia foi o silêncio. “Eu era acostumado aos pássaros e à barulheira característica deles. Desta vez, porém, tudo o que ouvíamos era o som do vento e das águas ”, contou.

Você pode gostar