Por paulo.gomes

Rio - Qualificar-se para melhorar profissionalmente está cada vez mais necessário em todas as áreas. Isso vale tanto para quem está no mercado de trabalho quanto para quem está fora dele. E a tendência é disso se intensificar nos próximos anos se a proposta do ministro da Fazenda, Guido Mantega, anunciada esta semana, de condicionar o recebimento do seguro desemprego a fazer cursos de qualificação, por a frente.

A Casa do Trabalhador oferece 16 cursos de capacitação. Entre eles monitor de recreação%2C agente de informações turísticas e informática básicaJosé Pedro Monteiro / Agência O Dia

Hoje o trabalhador é obrigado se requalificar na segunda solicitação do seguro em 10 anos e, caso haja a mudança, a condição passa a valer logo no primeiro pedido. Cursos desses são oferecidos de forma gratuita e com 160 horas/aula.

De acordo com o ministro, que vai discutir a proposta com as Centrais Sindicais esta semana, o acesso à qualificação desde a primeira situação de perda do emprego será de extrema valia para o trabalhador. “Com isso, ele pode ter mais acesso ao mercado de trabalho e até receber um salário maior”, pontuou.

Rio terá mais cursos

Secretário estadual de Trabalho e Renda, Sérgio Romay diz que o Estado do Rio está preparado para oferecer um maior número de cursos a população. Segundo ele as novas exigências para obter o seguro-desemprego não vão provocar mudanças significativas na capacitação de mão de obra no Estado do Rio. “Estamos ampliado a oferta de cursos em várias frentes. Seja nos postos Sine, nas Caravanas do Trabalho ou na Casa do Trabalhador”, informa.

Senai do Rio oferecerá 120 cursos na área da indústria

O Senai do Rio oferecerá em 2014 cerca de 120 cursos ligados a demanda da indústria com vagas a serem preenchidas pelos beneficiários do seguro-desemprego. Allain José Fonseca, coordenador de Projetos Educacionais do Senai do Rio, diz que os cursos relacionados aos setores de maior empregabilidade são os das áreas de soldagem, construção civil e tecnologia da informação.

“Como títulos, podemos destacar, dentre outros, soldador — nos mais diversos processos, eletricista instalador predial e operador de computador”, relata Fonseca.

Ex-caixa de casa lotérica, Érica Moreira Gomes, 31 anos, está desempregada e depois de dar entrada no benefício do seguro-desemprego decidiu trocar de profissão. Quer ser recepcionista. Para isso, ela resolveu fazer três cursos de qualificação. “Faço informática pelo Senai do Rio, recepcionistas em meio de hospedagem, na Casa do Trabalhador, e recepcionista pela Faetec”, conta.

Casa do Trabalhador, em Manguinhos, oferece qualificação em 16 áreas

Silmara Bernardo, coordenadora da Casa do Trabalhador, em Manguinhos, informa que há 16 cursos de qualificação gratuitos na instituição disponíveis para quem deu entrada no seguro-desemprego.

Ela diz que os cursos de Organizador de Eventos, Cuidador Infantil, Monitor de Recreação e Recepcionistas em meio de Hospedagem, que serão dados por instrutores do Senac, começam esta semana. “São todos cursos com grande demanda no mercado de trabalho”, afirma. Lucélia Oliveira da Silva, de 25 anos, que deu entrada pela segunda vez no seguro-desemprego, começou esta semana o curso de recepcionistas em meio de hospedagem na Casa do Trabalhador.
Hoje desempregada, ela conta que antes trabalhava como operadora de caixa, mas está querendo troca de área. “Este curso termina em fevereiro e pretendo sair daqui mais preparada”, planeja.

A jovem aprovou a possível alteração na regra de solicitação do seguro-desemprego. “Hoje ter o ensino médio não é suficiente”, opina.

Qualificação e redução de fraude

Incentivo - Ministério da Fazenda Guido Mantega diz que o Governo Federal oferece mais de 4 milhões de vagas em cursos de qualificação para trabalhadores que solicitam o seguro-desemprego no Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial (Senac) e no Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai). “Vamos incentivar a qualificação”, frisou Mantega.

Assistência estudantil - Segundo Allain José Fonseca, coordenador de Projetos Educacionais do Senai do Rio, um terço das 15 mil vagas oferecidas pela instituição este ano, através do Programa Nacional de Acesso ao Ensino Técnico e Emprego (Pronatec), foi dado aos beneficiários do seguro-desemprego. “Além de gratuitos, os alunos recebem uma assistência estudantil”.

Preconceito - Presidente da Central dos Sindicatos Brasileiros (CSB), Antonio Neto afirma que o Governo Federal trata a questão de forma preconceituosa. “Nessa proposta, apenas o trabalhador é punido. É indispensável que as empresas que possuem rotatividade acima da média do seu setor também sejam responsabilizadas pelas demissões”, avalia Neto.

Reduzir fraudes - Guido Mantega contesta a afirmação do dirigente da CSB. Segundo o ministro, a medida vai diminuir a ocorrência de fraudes, pois não é permitido trabalhar com carteira assinada quando o trabalhador está no curso profissionalizante após ser demitido. “Há casos de irregularidades em que o trabalhador recebe o seguro-desemprego e continua no emprego”.

Você pode gostar