Por tamyres.matos

Rio - O maior túnel de metrô do mundo, que liga a Barra a São Conrado, já está concluído, mas o que pouca gente sabe é que, antes de as obras começarem, houve uma grande operação de ‘salvamento’ na área. Cerca de mil exemplares de 38 tipos de plantas foram resgatados do Morro do Focinho do Cavalo, no Itanhangá, o que evitou que fossem pelos ares com as explosões da rocha para abrir o caminho. Três das espécies — duas bromélias e uma orquídea — estão inclusive ameaçadas de extinção.

O trabalho foi realizado pela equipe do Jardim Botânico do Rio em parceira com o Consórcio Construtor Rio-Barra, responsável pela Linha 4 do Metrô. As chamadas ‘rupícolas’ (espécies que só brotam em rochedos e encostas) foram transferidas para o Jardim Botânico — maior banco de dados do mundo sobre a Mata Atlântica — e deram início a uma nova coleção.

Recuperadas%2C rupícolas (plantas que brotam em rochas) agora formam nova coleção do Jardim Botânico%2C exposta ao público no CactárioJoão Laet / Agência O Dia

Salvas, as plantas estão ao alcance dos olhos de visitantes do Jardim Botânico: foram instaladas em ‘parede’ de rocha no fundo do Cactário, reformado e inaugurado este mês. Pedras que se soltaram do morro com as explosões para abertura do túnel também foram aproveitadas para adaptar as mudas no local.

A operação foi resultado de quatro anos de estudo de Cláudio Nicoletti e sua equipe de biólogos do Jardim Botânico, após a análise de impacto ambiental exigida pelo Instituto Estadual do Ambiente para liberar as obras. “Era para resgatarmos só as espécies em risco de extinção, mas aproveitamos a oportunidade para coletar todas, criando um projeto paisagístico que representa a diversidade do ecossistema”, explica. “A ideia foi perfeita para recuperação de uma encosta do Jardim Botânico que sofreu erosão pela água da chuva”, completa.

Radical, a operação exigiu que, por duas semanas, os biólogos escalassem de rapel o morro e, por meio de tirolesa, fizessem as plantas irem para caminhões, rumo ao novo lar.

Mas não acabou por aí. “Monitoramos as plantas que continuaram lá para ver se mantinham crescimento e reprodução. A resposta foi positiva, devido à proximidade com a floresta da Gávea”, diz Nicoletti. Ricardo Reis, biólogo da equipe, comemora: “Ter uma coleção nova para o público é um prazer imenso. Esse é o impacto que nós queremos causar na vida das pessoas que nos visitam”, diz. Bela maneira de unir o desenvolvimento da cidade à conservação do meio ambiente.

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