Por bferreira

Rio - Trinta metros abaixo da terra, em Londres, capital inglesa, túneis totalizando 10 mil metros quadrados estavam ociosos — haviam sido usados pela última vez durante a Segunda Guerra Mundial, nos anos 40. Até que dois designers britânicos tiveram uma ideia que pareceu estranha, mas que vem rendendo muitos frutos. Ou melhor, ervilha, rúcula, mostarda, rabanete, alface e brócolis de alta qualidade.

Iluminação especial dispensa a luz do sol no cultivo dos vegetais. Para chegar na horta do projeto%2C é preciso descer onze andares de escadas Reprodução

A fazenda urbana do projeto ‘Growing Underground’ (‘Brotando no Subsolo’) utiliza técnicas totalmente sustentáveis: cultura hidropônica (sem solo); iluminação de LED especial, para que as hortaliças brotem sem luz solar; e uso da água da chuva (a proposta é usar 70% menos água que a agricultura tradicional).

PRODUÇÃO ININTERRUPTA

Além disso, graças à profundidade, a temperatura, de cerca de 16 graus, é estável o ano inteiro no local, o que permite que a fazenda nunca pare de produzir, nem mesmo no inverno. Para chegar à plantação, é necessário descer nada menos que 11 andares de escadas, mas há planos para a instalação de um elevador em breve.

“O lugar reunia todos os requisitos que nós procurávamos: temperatura estabilizada e espaço suficiente”, explicou Richard Ballard, um dos fundadores da empresa Zero Carbon Food. Junto com Steven Dring, ele é responsável pela ação. O mote do projeto é ‘Feeding the Future’ (‘Alimentando o Futuro’).

Ainda este mês deverá ser iniciada a produção em larga escala na fazenda subterrânea. Para ver seus planos realizados, porém, a empresa ainda pretende conseguir 300 mil libras esterlinas (mais de R$ 1,1 milhão) em investimentos, por meio de ‘crowdfunding’ na internet. Em uma semana de campanha, o grupo atraiu 96 acionistas e levantou quase 50 mil libras (R$ 195 mil).

Abrigo antibombas na Segunda Guerra Mundial

Os túneis ficam abaixo de uma das mais movimentadas linhas do metrô londrino, a Northern Line, que liga o norte ao sul da cidade, e a menos de um quarteirão da estação Clapham North. Na época da Segunda Guerra Mundia, eles tinham capacidade para proteger oito mil pessoas de bombardeios. Mas há relatos dando conta de que mais de 12,3 mil recorreram ao abrigo antibombas, no mês de julho de 1944.

Os planos de utilizar os túneis como parte da rede de transporte subterrâneo nunca foram adiante. Abandonados desde o fim da guerra, eles pertencem ao Departamento de Transportes de Londres, e acabaram sendo arrendados por 25 anos para o projeto ‘verde’.

A iniciativa ‘Growing Underground’ nasceu há dois anos, mas agora a produção começa a ganhar volume. Tanto que o plano é abastecer os restaurantes e supermercados da região de Covent Garden, que fica a cinco quilômetros.

“A proximidade com os consumidores é outra vantagem (dos túneis), porque podemos entregar os vegetais aos consumidores em poucas horas. Isso aumenta o tempo de vida deles e diminui drasticamente os gastos com transporte, o que implica em menos emissão de carbono no meio ambiente”, explica Dring. Ele e o colega Ballard já pediram inclusive ao chef Michel Roux Jr., famoso em Londres, para utilizar vegetais cultivados nos túneis em suas receitas. O resultado foi apoio total ao projeto.

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