Árvores que viram chuva: os 'rios voadores' do Brasil

Campanha educativa vai capacitar professores de escolas públicas do país para explicar o fenômeno às crianças, e a importância da preservação da Amazônia

Por O Dia

Rio - Você sabia que, se as árvores da Floresta Amazônica não existissem, haveria grandes chances de as regiões Sudeste e Sul do Brasil serem desérticas? A questão é explicada pelos chamados ‘rios voadores’ — correntes de ar que carregam umidade da Amazônia para o Sul do Brasil e são responsáveis por boa parte das chuvas no Centro-Oeste, Sudeste e no Sul. Só para se ter uma ideia, cada árvore de grande porte pode ‘suar’ três mil litros de água por dia. Para marcar o Dia Mundial da Água (ontem), foi lançada na Escola da Natureza, em Brasília, campanha para ensinar à criançada do Brasil como o fenômeno ocorre, destacando a importância das florestas, e de cada árvore, na preservação das águas do Brasil.

A iniciativa — do Projeto Rios Voadores, com patrocínio da Petrobras — consiste em capacitar professores da rede pública de ensino de várias cidades do país para trabalharem o tema em sala de aula. Será utilizado o livro ‘Rios que voam’, de Yana Marull, que explica o fenômeno com linguagem simples.

“Com o livro, temos um material colorido e cativante para as crianças. Nossa intenção é que até mesmo os pequenininhos entendam e sejam mais conscientes da importância da floresta, e mesmo da árvore em frente à sua casa, que também faz sua parte para fornecer vapor de água para a atmosfera”, diz o ambientalista e piloto de avião Gérard Moss, diretor do Projeto Rios Vodores, que promove oficinas para professores de escolas públicas desde 2011.

A quantidade de vapor d’água nos rios voadores pode chegar a volume igual à da vazão do rio Amazonas (200 mil m3/s). Para entender a importância do fenômeno, basta lembrar que as regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste estão na mesma faixa de latitude dos maiores desertos do mundo, como Atacama, no Chile, e Namibe, na Namíbia.

Amostras de vapor d’água colhidas em voos científicos

A bordo de um pequeno avião adaptado, Moss, aventureiro suíçu naturalizado brasileiro, percorreu principalmente a Amazônia e o Centro-Oeste coletando amostras de vapor de água, numa parceria com cientistas brasileiros, como os professores Enéas Salati e Antonio Nobre. A análise das amostras no Centro de Energia Nuclear na Agricultura teve o objetivo de levantar mais dados técnicos sobre os rios voadores oriundos da Amazônia, que têm forte impacto no clima do Brasil.

Moss destaca ser necessário mais informação e conscientização entre os brasileiros. “É importante que entendam a dinâmica que influencia o clima do país e sua sustentabilidade. O Brasil é um país de água, mas em certas regiões, não podemos nos dar ao luxo de desperdiçá-la. Onde não há água suficiente, pelo motivo que for, precisamos dar mais valor e respeito a ela e à vegetação”, avalia. Para ele, é preciso comemorar a existência da Floresta Amazônica, que funciona como uma imensa bomba d’água.

“A agricultura em outros países grandes, como China e Estados Unidos, não é sustentável porque depende de água do subsolo, bombeada de profundidades cada vez maiores. No Brasil, 95% da agricultura se beneficiam das chuvas que caem gratuitamente do céu. Devemos dar mais valor à abundância de chuva que temos, preservando a floresta que fornece boa parte da umidade que se transforma em precipitações”, analisa.

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