Por bferreira

Rio - Ambientalistas mais radicais defendem o fim do consumo de carne para salvar a Terra dos efeitos do aquecimento global. Exagerada ou não, a opinião tem fundo científico. Relatório da ONU divulgado semana passada mostrou que as emissões de gases do efeito estufa provenientes da agropecuária, silvicultura e pesca praticamente dobraram nos últimos 50 anos. E, dentro do setor, a grande vilã é a pecuária, responsável por 39% de todas as emissões em 2011.

A maior parte destes poluentes vêm do processo digestivo dos animais, em especial do gado de corte — aquele que fornece o alimento que vai parar no prato dos ‘carnívoros’. A fermentação entérica, que ocorre no estômago dos bichos, libera o gás metano, altamente poluente, sob forma de arrotos e flatulência.

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O documento, do escritório da ONU para Alimentação e Agricultura (FAO), foi o primeiro a calcular as emissões da agricultura em nível global. Os dados indicam que, até 2050, o volume deve subir 30% se o crescimento do setor continuar no ritmo atual e nada for feito para frear as emissões. “Os novos dados da FAO são a fonte de informação mais completa já feita sobre a contribuição da agricultura para o aquecimento global. Até agora, cientistas e autoridades tinham dificuldades para formular decisões estratégicas como resposta para as mudanças climáticas devido à falta de informação. Essa lacuna também impedia os esforços para mitigar as emissões da agricultura”, afirma Francesco Tubiello, da FAO, segundo a agência Deutsche Welle.

Em 2001, a agropecuária emitiu aproximadamente 4,7 bilhões de toneladas de dióxido de carbono equivalentes (CO2e). Em dez anos, as emissões aumentaram 14%, atingindo um volume de 5,3 bilhões de toneladas de CO2e em 2011. O maior crescimento ocorreu nos países em desenvolvimento, que expandiram esse setor.

Rebanho bovino teve expansão

No Brasil, a agropecuária é uma das líderes de emissões de gases do efeito estufa no país, junto com o manejo da terra e consumo de combustíveis. Os altos índices de emissão no setor se deve à expansão do rebanho bovino e o aumento do uso de fertilizantes nitrogenados. Para reduzir as emissões neste setor, o governo brasileiro lançou em 2010 o programa Agricultura de Baixa Emissão de Carbono (ABC). O país pretende reduzir entre 36,1% e 38,9% as emissões de gases do efeito estufa até 2020 com base nos números de 1990.

Uma das principais metas do plano é a recuperação de 15 milhões de hectares de pastagens degradadas, segundo a Deutsche Welle. Se cumpridos, os objetivos podem contribuir para uma redução de 133,9 milhões de toneladas até 162,9 milhões de CO2e.

A expansão da pecuária no mundo, segundo o relatório da FAO, contribuiu para o aumento de 11% da produção de metano pelo gado entre 2001 e 2011. Índia e Brasil são donas dos maiores rebanhos bovinos do mundo.

No mesmo período, as emissões provenientes da aplicação de fertilizantes sintéticos aumentaram 37%. Em 2011, representam 14% da emissão total. A maioria dos gases do efeito estufa da agricultura vieram da Ásia (45%), seguida por América (25%), África (15%), Europa (11%) e Oceania (4%).

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