Preservar os mares: imenso desafio

Apenas 0,05% da costa brasileira é protegida formalmente. Trecho no Nordeste é exemplo

Por O Dia

Tamandaré e Porto das Pedras - Preservar a vida marinha no Brasil é um desafio gigantesco: por incrível que pareça, apenas 0,05% do mar do Brasil é legalmente preservado. O restante está sujeito à destruição. Entre o litoral de Pernambuco e Alagoas, a Área de Proteção Ambiental (APA) Costa dos Corais é um santuário ecológico: abriga mais de 185 tipos de peixes e raríssimas espécies marinhas ameaçadas de extinção.

Os recifes de corais, o peixe-boi marinho, as tartarugas Verde e De-Pente, o Tubarão-lixa, o Mero e o Neon são protagonistas da APA de 413 mil hectares. A Fundação Toyota do Brasil há dois anos apoia a APA e o desenvolvimento de negócios sustentáveis ligados à pesca e ao turismo na região, investindo R$ 1 milhão por ano. Metade vai para fundo administrado pela Fundação SOS Mata Atlântica, para o projeto ser autossustentável em dez anos.

Na região de 413 mil hectares da APA Costa dos Corais%2C as paisagens são de tirar o fôlego e espécies marinhas raras se reproduzem Divulgação

“Apesar de ser uma APA, é aberta, com 11 cidades, pescadores, turistas e governo. É um grande desafio juntar todas essas pessoas e trabalhar na preservação”, diz o presidente da Fundação Toyota, Ricardo Bastos. Sobre o fato de o mar do Brasil ser desprotegido, o presidente do Instituto de Recifes Costeiros, Mauro Maida, alerta: “Significa que 99,95% do mar é passível de exploração e destruição de habitats. São milhares de redes matando todo dia”. “Nos anos 90 as pessoas vendiam corais nas ruas, pescavam com bombas e venenos”, acrescenta o também professor de Oceanografia da Universidade Federal de Pernambuco, que há 20 anos realiza estudos e auxilia a comunidade na conservação.

Desde a criação da APA, em 1997, a pesca industrial foi proibida. “Hoje, pescadores precisam se afastar 40 km da costa para pegar 60 kg por semana. Ninguém está preocupado se o peixe está se reproduzindo, se tem habitat. É burrice crer ser possível garantir a pesca se é permitido matar 99,95% do ambiente”, critica.

Pescadores em Tamandaré%2C Pernambuco%2C preparam a rede para a pesca em alto-mar%2C a 40 km da costa Divulgação

Volta do peixe-boi aos mangues alavanca economia

O mamífero aquático mais ameaçado de extinção no Brasil mudou o destino de Porto das Pedras, Alagoas. Foi reintroduzido na região graças à riqueza dos mangues e, hoje, a Associação Peixe-boi comemora o nascimento de filhotes e o crescimento do turismo de observação do animal, que alavancou a economia local.

“A primeira reintrodução feita no Rio Tatuamunha foi em 2008. Quando a associação começou a fazer os passeios havia três. Hoje, são 15, sem contar os que já foram soltos no mangue”, festeja Flávia Rego, presidente da associação, parceira da Fundação Toyota e do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade.

Peixe-boi no Rio Tatuamunha%2C em Porto das Pedras%3A dócil e ameaçadoDivulgação

Os animais são chamados pelos nomes. O mais velho é Aldo, 3,5m e 350 kg, que foi reintroduzido no mar, mas escolheu o rio como morada. O caçula é Sol, 3 anos, filhote de Lua, primeiro reintroduzido no Brasil. Ele come por dia o equivalente a 10% do seu peso. O cardápio inclui algas marinhas, plantas subaquáticas e capim agulha.

Apesar do tamanho, o peixe-boi é muito dócil com os visitantes que se aventuram a conhecer o único mamífero herbívoro do mundo.“É um animal tão tranquilo, e foi tão judiado. Há apenas 500. Sua luta pela vida deveria servir de lição para a gente”, afirma Flávia

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