Por paulo.gomes
Even Flávia Lafraia está em sua terceira área de atuaçãoDivulgação

Rio - Depois de consolidar a carreira na área de Recursos Humanos, a psicóloga Lisa Konig, 31 anos, deixou para trás seu emprego de gerente de RH em uma empresa de tecnologia para se dedicar ao setor artístico. Hoje ela atua como cantora e atriz. “Foi uma decisão difícil, pois tinha excelente salário e uma certa estabilidade com remuneração no fim do mês”, conta a agora artista. O caso de Lisa é apenas um entre muitos que optaram por trocar de profissão.

Segundo consultores de RH, tem sido um movimento cada vez mais comum a opção por outra carreira. No entanto, eles alertam para a necessidade de se ter autoconhecimento, fazer planejamento e pesquisar a nova área para evitar insucessos e frustrações.

Especialista em carreiras, Bet Braga orienta a pessoa a fazer avaliação sobre a vida profissional atual para ter certeza de que não é apenas uma insatisfação passageira.

“Faça um inventário da profissão para identificar o que gosta e o que não gosta na carreira em que está. Em seguida, liste os pontos que lhe agradam e os que lhe desagradam na área que pretende seguir”, explica a especialista.

“A pessoa precisa identificar a motivação desta vontade de mudança”, destaca o diretor da consultoria Top Quality, Carlos Eduardo Pereira.

Planejamento

No que se refere ao planejamento, a consultora de negócios e carreiras da High Performance, Dirlene Costa, diz que o profissional deve ter calma e fazer transição sem pressa para não tomar decisões precipitadas. “Os passos prioritários antes de qualquer decisão são o autoconhecimento e o planejamento. Cuide de cada passo a ser dado, sem atropelar fases. Mudanças rápidas, sem calcular riscos, são aquelas que ocasionam mais perdas. E é preciso desenhar cenários favoráveis e desfavoráveis para saber como agir em cada um”, ensina.

A agora cantora e atriz Lisa Konig seguiu os passos prioritários apontados acima pela consultora Dirlene Costa. A transição da artista levou dois anos. “Foi uma transição gradual. Durante esse tempo trabalhei paralelamente com música fazendo shows e cursos de teatro e de canto. O que foi uma forma de criar uma rede de relacionamentos na nova área”, dá a dica Lisa.

Ouvir profissionais da área desejada é uma das dicas

Carolina Coelho, diretora da HProjekt, especializada em Recrutamento e Seleção, diz que ouvir profissionais da área que deseja ir é uma boa estratégia. “Conhecer a trajetória deles poderá ajudar, pois provavelmente passaram por situações boas e dificuldades, antes de se firmarem na área”, avalia.

Fabíola Lago, especialista em RH do site de empregos Vagas.com, alerta para não confundir a empresa, ou o chefe, com a área de atuação. “Muitos pedem demissão do ‘superior’ e não do lugar em que trabalham”, adverte.

A orientadora profissional Tatiana Ferrentini afirma que é fundamental saber o que sequer. “Tem muita gente que não quer mais sua ocupação atual, mas não tem um objetivo claro. Isso é bem mais comum do que se imagina”, conta.

A gerente de Sustentabilidade da Even, Flávia Lafraia, de 38, está na sua terceira área de atuação. Após se formar em desenho industrial, trabalhou em uma agência de publicidade por um ano. Insatisfeita, cursou Direito e passou para a área jurídica de uma empresa de capital aberto por 11 anos. No entanto, há oito anos ela se tornou gerente de Sustentabilidade na mesma corporação. E gostou.

“Apesar de me manter na mesma empresa meu gestor me alertou que era uma área nova e eu corria o risco de ser demitida em pouco tempo. Resolvi arriscar e deu certo. Sabendo o que se quer, dá mais segurança em trilhar o caminho escolhido”, avalia.

Especialistas em carreiras ajudam no passo a ser dado

Psicóloga, Sideise Eloi, 37 anos, trocou o consultório pelo mundo corporativo. Depois de sete anos na psicologia clínica, ela atua hoje como especialista em RH.

“Dentro do consultório me sentia sozinha. Queria algo mais no meu perfil, porém não sabia como fazer a mudança. Busquei orientação com um especialista em carreiras, que ajudou a mostrar o que eu queria”, acrescenta.

Por três anos Priscila Barbosa, 27, trabalhou no setor comercial de uma indústria de produtos anticorrosivos. Insatisfeita, pediu para ser demitida para atuar com redes sociais. Hoje ela é analista de mídias sociais de uma agência de publicidade e blogueira. “Carrego uma frase comigo que me ajuda a tomar decisões sem medo: nada compra meu bem estar”, comenta a jovem.

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