Por paulo.gomes

Rio - A percepção de que o seu emprego está por um fio nem sempre é algo claro. Muitas vezes o profissional não consegue visualizar que está próximo de ser demitido. Parar de ser chamado para reuniões que sempre participava, perder atividades e projetos para outros colegas e seu chefe deixar de dar feedbacks (avaliação) e elogios são algumas das atitudes que podem denotar que o funcionário está próximo de ser mandado embora.

Para não ser pego de surpresa, especialistas em RH revelam alguns sinais de que a demissão é questão de tempo. Eles dão dicas de como tentar reverter a situação e como lidar com o momento difícil no caso de desligamento.

“Quando você começa a não participa mais das reuniões que antes participava, seu chefe não atende mais suas ligações ou não reponde seus e-mails como fazia antes algo de errado acontece. Se já não tem mais permissão para representar a empresa em reuniões externas, e seu curso, pago pela empresa, foi cancelado, temos sinais claros de que as coisas não estão indo bem”, revela a especialista em carreiras Bet Braga.

Dirlene Costa, consultora de carreiras e negócios da High Performance, afirma que o primeiro passo é procurar sua liderança direta e ter uma conversa franca. “Fale que tem percebido mudanças e que gostaria de entender se as mesmas vão lhe afetar, bem como, o que pode fazer para mudar”, conta.

A consultora aconselha ainda que neste momento é preciso ouvir atentamente, ser receptivo aos feedbacks, evitar reclamar com outros colegas e ter uma postura proativa. “Caso receba algum retorno negativo veja o que precisa melhorar ou mudar”, acrescenta Dirlene Costa.

Outros sinais

Deixar de ter aumento, promoção ou indicação para treinamentos, passar a receber recados por intermédio de outras pessoas, ter o nome esquecido pelo gestor, ou ainda, não ser chamado para o almoço de confraternização do aniversário do chefe são alguns sinais apontados pelo gestor de RH e especialista em psicologia do trabalho, Maurício Seixo, de que o funcionário está na ‘corda bamba’.

“Caso tenha percebido um ou dois desses sinais, não se preocupe. Pode ser apenas coincidência mesmo, mas se vários desses estão acontecendo é porque em breve você será demitido”, afirma Seixo.

Não fale mal da ex-empresa

Caso o profissional seja demitido, Maurício Seixo, gestor de RH e especialista em psicologia do trabalho, orienta como responder a difícil pergunta do recrutador sobre o motivo da demissão. Ele aconselha a ser sincero, mas evitar falar mal da ex-empresa.

“O entrevistador não está preocupado com o que fez, mas como você se coloca sobre o que fez e como aprendeu com eventuais erros, e o que está fazendo para melhorar. Não fale mais do que o necessário, seja direto e claro na sua explicação e deixe que ele pergunte mais sobre o assunto ou que siga em frente”, orienta Seixo.

Mesmo que a demissão prejudique a imagem do candidato a professora de Gestão de Carreiras no Ibmec RJ, Janaina Ferreira, orienta a não mentir.

“Evite detalhar a situação, porém jamais minta. Muitos gestores checam informações com as empresas anteriores e se a mentira for descoberta, o candidato provavelmente será cortado do processo seletivo ou demitido após a contratação. Então, a única chance é dizer a verdade, assumir sua parcela de responsabilidade sobre o erro, dizer o que aprendeu com a experiência e se comprometer com uma nova postura”, ensina.

Postura no último dia na companhia

A especialista em carreiras Bet Braga dá dicas de como se portar no último dia na empresa, caso a demissão seja inevitável. “Ao se despedir dos colegas de trabalho procure ser rápido e não escreva longos e-mails. Não fale de sua chefia nem tampouco da empresa. Não procure culpados e assuma a responsabilidade pelos seus atos”, orienta Bet.

A consultora de carreiras e negócios da High Performance, Dirlene Costa, ressalta que antes de um profissional ficar preocupado com os sinais de uma possível demissão, precisa criar sua própria empregabilidade.

“O que é isso? É ser o criador e condutor da sua carreira e não ficar a margem das escolhas dos outros. Para isso, este profissional precisa ser atualizado, proativo e atuante na sua profissão”, aconselha a consultora.

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