Mata Atlântica: Estado do Rio zera desmatamento

Situação em Angra dos Reis e Parati é boa, mas cidades como São Fidélis e Itaguaí ainda destroem o bioma. Em todo o Brasil, índice de devastação cresceu 9%

Por O Dia

Rio - Se no Brasil a destruição total da Mata Atlântica teve alta de 9% no período de 2012-2013, em relação ao anterior (2011-2012), no Estado do Rio, isoladamente, o desmatamento foi praticamente zerado. Foi o que revelou o ‘Atlas dos Municípios da Mata Atlântica’, lançado este mês. As cidades campeãs na preservação do bioma no Rio foram Angra dos Reis, que tem 80% de sua floresta, seguida de Parati, com 78%, ambas na Costa Verde.

Mas alguns municípios seguem desmatando, como São Fidélis, no Norte Fluminense, seguido por Itaguaí, na Região Metropolitana. Elas só mantêm, respectivamente, 6% e 33% da vegetação original. O estudo, da Fundação SOS Mata Atlântica e do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), analisou os dados mais recentes sobre a situação dos 3.429 municípios do bioma.

Angra dos Reis%2C na Costa Verde%2C é o município que mais preserva suas florestas no Estado do Rio%3A 80% da vegetação nativa está intactaIstock

A Fundação ressalta que os municípios têm de fazer sua parte na proteção da floresta mais ameaçada do Brasil. E uma das principais formas de contribuir é através da elaboração e implementação dos Planos Municipais da Mata Atlântica. Mario Mantovani, diretor de Políticas Públicas da SOS Mata Atlântica, explica que o plano traz benefícios para a gestão ambiental e o planejamento do município.

“Quando o município faz o mapeamento das áreas verdes e indica como elas serão administradas – por exemplo, se vão virar um parque ou uma área de proteção ambiental – fica muito mais fácil conduzir processos como o de licenciamento de empreendimentos. Além disso, é uma legislação que coloca o município muito mais próximo do cidadão, porque também estamos falando em qualidade de vida”, afirma.

Com base em imagens geradas pelo sensor OLI a bordo do satélite Landsat 8, o Atlas da Mata Atlântica, que monitora o bioma há 28 anos, utiliza a tecnologia de sensoriamento remoto e geoprocessamento para avaliar os remanescentes florestais acima de 3 hectares em 17 estados na área do bioma: Alagoas, Bahia, Ceará, Espírito Santo, Goiás, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Paraíba, Paraná, Pernambuco, Piauí, Rio de Janeiro, Rio Grande do Norte, Rio Grande do Sul, Santa Catarina, São Paulo e Sergipe.

Piauí: o melhor e o pior

O município de Manoel Emídio, no Piauí, foi responsável por 13% da supressão do bioma do País, com 3.134 hectares. Cinco dos 10 municípios que mais desmataram a Mata Atlântica no Brasil no período 2012-2013 ficam em Minas Gerais – estado que liderou o ranking do desmatamento por 5 anos.

No Piauí, a cidade de Alvorada do Gurguéia desmatou 2.491 ha no mesmo período, o que a coloca em 2º lugar no ranking nacional. O Piauí, porém, também possui os dois municípios mais conservados do Brasil (Tamboril do Piauí e Guaribas), ambos com 96% de vegetação natural, que abrigam parte do Parque Nacional da Serra das Confusões, uma importante Unidade de Conservação da região.

Marcia Hirota, diretora-executiva da SOS Mata Atlântica, ressalta a ligação entre a alta verificada nas cidades de Manoel Emídio e Alvorada do Gurguéia e o aumento da produção agrícola no Piauí, que subiu 135,3% no último ano e duplicou as áreas desmatadas. “Este crescimento tem sido motivo de preocupação. Começamos a monitorar o Piauí no ano passado, e ele já entrou no ranking dos maiores desmatadores”, afirma.

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