Por bferreira

Rio - Outro segredo guardado nas memórias do coronel reformado Paulo Malhães é o destino final de um dos líderes da Vanguarda Popular Revolucionária (VPR), o sargento Onofre Pinto. Preso em 1969, Onofre deixou o país no sequestro do embaixador dos Estados Unidos Charles Burke Elbrick no mesmo ano. Ele ficou exilado no Chile e depois na Argentina até 1974, quando decidiu retornar para formar um novo grupo de luta armada. Foi nesse desejo que Malhães e sua equipe encontraram a oportunidade para prendê-lo.

Onofre Pinto foi atraído pelos militares em julho de 1974 junto com os brasileiros Daniel José de Carvalho, Joel José de Carvalho, José Lavecchia, Vitor Ramos e do argentino Enrique Ernesto Ruggia para uma emboscada em um suposto campo de guerrilha que estava sendo formado no Parque do Iguaçu, em Foz do Iguaçu.

“Fui até lá e me apresentei ao Onofre como um contato da guerrilha. Gostava da adrenalina.Eu era o carioquinha ”, conta o militar , ao revelar que foi o líder da operação.

Para a missão, o coronel conta que teve ajuda de um agente infiltrado chamado Alberi Vieira dos Santos, ex-militante de esquerda. De acordo com ele, a operação durou cerca de dois meses. Primeiramente, foi montada uma casa em um bairro afastado de Foz do Iguaçu, e lá os agentes ficaram fazendo contato com guerrilheiros.

Malhães diz que naquela época o governo brasileiro não tinha autorização para atuar no território argentino e, por isso, os militantes brasileiros precisaram atravessar a fronteira para serem presos. Todas as operações que envolviam outros países se chamavam ‘Operações Arco-Íris’. “É por causa das cores das bandeiras”, explica.

De acordo com o oficial, o líder da VRP impunha a liderança no grupo, mas estava desconfiado sobre a existência real do campo no lado brasileiro.

“Onofre liderava. Tinha boa receptividade. Mas estava desconfiado. No primeiro dia em que nos encontramos ele pediu que alguém fosse comigo ver o local de treinamento”, afirma Malhães.

No outro dia, ele e um dos guerrilheiros foram até o local em uma perua. Dois dias depois da visita, o grupo de militantes cruzou a fronteira durante a tarde e chegou ao falso campo de treinamento à noite.

Assim que chegaram foram cercados e receberam ordem de prisão. O primeiro a morrer foi José Lavecchia, que tentou reagir. Os outros foram executados ainda naquela noite. O único que sobreviveu foi Onofre Pinto, levado para a casa de fachada em Foz do Iguaçu, onde os agentes tramaram toda operação.

Lá, o líder da VPR passou quase um mês sendo interrogado e recebeu a proposta de trabalhar para a repressão. De acordo com Malhães, após quatro semanas, Onofre concordou. “Ele me pediu que cuidasse da família dele, me passou os contatos e eu fiquei de escrever aos meus outros infiltrados para avisar que ele tinha ‘virado”, explica.

No entanto, o comando do Centro de Informações do Exército não quis manter o guerrilheiro vivo. Segundo Malhães, um oficial, que ele não quis revelar o nome, não queria que ele tivesse um agente da importância política de Onofre.“Recebi uma ordem direta: fecha tudo, acaba tudo e volta para o Rio”, conta Malhães.
Onofre então foi executado e seu corpo foi jogado de uma ponte dentro de um rio na região de Foz do Iguaçu.

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