Por O Dia

A Google admite, enfim, que está sempre fuçando o nosso e-mail. Não só ele, mas toda informação que esteja correndo nos seus servidores. O software que faz essa graça está de olho em palavras que possam resultar em anúncios direcionados sob medida para cada usuário. Somos todos consumidores, afinal.
De certa maneira, todos já sabiam disso, mas a atualização dos termos de serviço do gmail e outros aplicativos da Google, semana passada, deixou essa estratégia mais clara. Dados sobre trânsito ou sobre alguns dos seus horários também são armazenados.
Por essas e por outras, nos EUA, associações tentam processar a Google por invasão de privacidade — conceito cada vez mais antigo, aliás. A questão é que você, quando passa a usar dos serviços Google, está aceitando ser ‘espionado’. Com frequência, aliás, parece que tudo é feito assim para a sua própria segurança. Ou, ao menos, é esse o argumento usado para fazer com que o sujeito deixe ter sua vida bisbilhotada.
Mas os defensores da privacidade insistem. Agora mesmo o ‘Washington Post’ (via ‘Observatório da Imprensa’) dá conta de que existe um movimento sugerindo que as empresas de comunicação criptografem seus sites, para que os interesses dos leitores estejam protegidos. Como diz o artigo, o jornal impresso não lê você, mas o site — como toda plataforma digital — lê você, sim, e está registrando seus rastros o tempo todo. Será que essa conversa ainda vai evoluir?

Auto-ajuda

Semana passada comentei aqui que a Amazon está distribuindo um incentivo entre US$ 2 mil e US$ 5 mil para os funcionários ‘não comprometidos’ que queiram deixar a empresa. Ainda não sabemos se a ação está dando certo. Mas encontro nas gavetas, já fazendo a arrumação de fim de ano, uma citação do Steve Jobs, que era bem chegado a discursos de auto-ajuda. Diz ele: “O seu trabalho vai preencher boa parte da sua vida, e a única maneira de ficar verdadeiramente satisfeito é fazer o que você acredita que seja um bom trabalho. E a única maneira de fazer um bom trabalho é amar o que você faz. Se você ainda não o encontrou ainda, continue de olho. Não se acomode. Assim como em outros assuntos do coração, você vai saber quando encontrá-lo”. É um contraponto interessante à história da Amazon, mas a verdade é que dificilmente alguém consegue fazer aquilo com que sempre sonhou. É da vida.

Leitura de bordo: o caso Snowden

Feriadão é sempre uma boa oportunidade para revirar os livros empilhados no canto. Ou os e-books, se for o caso. Pegou-me de jeito, nos últimos dias, o recentemente lançado “Os arquivos Snowden”, de Luke Harding (Ed. Leya, R$ 39,90). Conta a história do vazamento de informações mais polêmico das últimas décadas, que resultou em inúmeros incidentes diplomáticos e que certamente ainda vai dar rolo.

Em 2012, Edward Snowden era analista de informação da agência de segurança americana e, quando caiu-lhe a ficha de que havia inúmeros segredos do seu governo que deveriam ser conhecidos por todo mundo, tratou de fugir pro Havaí. Nesse rompante de consciência política, Snowden levou para o arquipélago alguns notebooks com material confidencial, não só abandonando a carreira brilhante, como virando de cabeça pra baixo a própria vida pessoal. De lá, passou as informações para a imprensa, e o mundo ficou sabendo sobre escutas telefônicas espúrias de importantes autoridades (incluindo a presidente Dilma), truques sujos made in USA etc, etc.

Snowden teve que abandonar mesmo o seu país, escondeu-se durante um tempo em Hong Kong e desde agosto passado está morando ‘de favor’ na Rússia. Mas o visto dele está para
expirar, e o assunto vai voltar à tona novamente muito em breve. Ele chegou até a ser cogitado para o Prêmio Nobel da Paz. Enfim, há muitas histórias no livro, que a gente consegue ler como se fosse um thriller. Por essas e por outras, vale a leitura. Aliás, o ‘Washington Post’ e o ‘Guardian’ receberam semana passada um Pulitzer pela cobertura do caso. Trata-se do prêmio mais respeitado do jornalismo mundial.

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