Por O Dia

Na entrevista desta edição, o cientista político Marcos Coimbra, do Vox Populi, diz que é cedo para fazer prognósticos sobre a disputa pela Presidência da República, até porque a partir do dia 12 de junho “o assunto que vai atrair o interesse da opinião pública será a Copa do Mundo”. Ele explica que não acredita em grandes mudanças antes de agosto, a não ser que haja “fenômenos imprevistos durante o torneio, não dentro dos gramados, mas sim fora dos estádios”. Mas faz uma advertência que merece muita atenção por parte dos adversários de Dilma Rousseff: “Quem apostar as fichas em que irá crescer quando começar a propaganda eleitoral pode ter uma surpresa negativa”. Por quê? “Quem cresce nas eleições em que há reeleição é sempre o candidato do governo”. Assim foi com Fernando Henrique Cardoso em 1998 e com Lula, em 2006.

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Aécio Neves e Eduardo Campos, portanto, não terão vida fácil pela frente. Apesar dos desgastes que sofreu com a inflação dos alimentos e as denúncias envolvendo a Petrobras, a presidente Dilma Rousseff tem a caneta na mão e pode fazer correções de rumo estratégicas. Ela vai usar as prerrogativas ao seu alcance. Coimbra dá o exemplo da forte rejeição que Dilma sofre por parcela do empresariado e também do mercado financeiro. “É possível ganhar a eleição apesar da oposição desses setores, mas eu acho provável que, daqui até agosto, o governo e Dilma procurem diminuir essa antipatia”. Os responsáveis pela campanha do PT, de fato, não perderam tempo. Na semana passada, Dilma deu início a uma agenda de encontros com representantes da iniciativa privada e o objetivo é exatamente aparar arestas e reduzir a rejeição.

A propósito de debater a prorrogação das desonerações e medidas de flexibilidade da legislação trabalhista, a presidente recebeu no Palácio do Planalto, na última quinta-feira, dirigentes de 36 setores da indústria brasileira. Inicialmente, o encontro, que começou às 17h, duraria uma hora. Mas só terminou depois de três horas e meia. Não houve anúncio de novos incentivos, pois a equipe econômica pediu mais tempo. Houve, porém, uma unanimidade entre os presentes: poucas vezes se viu um clima tão amistoso em reuniões no Planalto. “Acho que a presidenta inaugurou um novo jeito de fazer as coisas”, afirmou o presidente da CNI, Robson Andrade. Todos saíram impressionados. No relato da repórter Mariana Mainenti, Dilma ouviu pacientemente todas as demandas e determinou formação de grupos de trabalho bilaterais. “Foi a melhor reunião da qual participei com o governo e olha que já vim a muitas”, ressaltou o diretor da CNI, Paulo Afonso Ferreira.

No dia seguinte, sexta-feira, Dilma abriu as portas do Palácio da Alvorada para representantes do agronegócio. Em encontro organizado pela senadora Kátia Abreu, a presidente recebeu para jantar na residência oficial 44 empresários do setor. Surpreendeu os convidados, mostrando amplo conhecimento sobre os pleitos dos ruralistas. Ao contrário do encontro com a indústria, ela misturou dirigentes de entidades com executivos de empresas. Mas voltou a exibir uma descontração fora do habitual, segundo os presentes. “Foi uma conversa bem informal. A presidente mais ouviu do que falou”, disse um dos convidados.

Como se vê, Dilma Rousseff não vai esperar até agosto. Quer abrir os canais de diálogo já. Para a presidente, a hora de reagir é agora.

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