Por bruno.dutra

A primeira registrou em abril o mais baixo volume de novos empregos formais nos últimos quinze anos, 105 mil novos empregos, quase a metade dos 197 mil do mesmo mês de 2013. Isso foi fruto de uma virtual paralisação das contratações líquidas na média de dois dos mais relevantes setores empregadores, que são a indústria e a construção civil.

O primeiro demitiu em termos líquidos 3 mil pessoas; o segundo contratou somente 4 mil, praticamente um anulando o outro. Na agricultura e no segmento mais empregador do país, serviços, ocorreram reduções, mas o balanço de contratações e desligamentos manteve-se positivo e expressivo. No comércio, a geração de empregos ficou estável.

Esse conjunto de informações dá suporte à interpretação de que a “conta” do baixo crescimento econômico, que já se prolonga por quatro anos, chegou. Mais: parece certo que, como o governo se vê limitado em executar ações anticíclicas devido às restrições fiscais, mesmo em um ano eleitoral como é 2014, a fraqueza do emprego revelada nos meses iniciais deverá prevalecer para o restante do ano. Se isto irá se traduzir em aumento da taxa de desemprego, quando poderá ocorrer e, caso se concretize, qual será sua influência eleitoral, são questões por enquanto em aberto.

A pesquisa de emprego do IBGE, que cobre o emprego formal e o informal, sugere que o momento em que a deterioração das novas contratações se revelará em maior taxa de desocupação pode ser adiado por uma particular combinação de ritmos com que caminham a ocupação e a população economicamente ativa.

A peculiaridade do caso brasileiro reside no fato de que a despeito do número de pessoas ocupadas já não mais evoluir como antes, e em alguns períodos registrar recuos, o que elevaria a taxa de desemprego, a população economicamente ativa — que avalia a dimensão da força de trabalho — tampouco marcha na velocidade de tempos atrás e recentemente revela tendência de recuo sistemático. Em outras palavras, se por um lado o emprego está mais fraco, por outro um menor número de pessoas se apresenta para trabalhar.

É isto o que vem amenizando ou mesmo revertendo o impacto da queda do número de empregados sobre a taxa de desocupação.

Pois bem, os últimos resultados da PME vêm mostrando uma leve melhora no ritmo da ocupação, que nos últimos quatro meses passou de variação negativa para variação zero. Paralelamente, era mantida a redução da força de trabalho em um índice próximo a 1%. Isto significa dizer que a geração de empregos pode continuar anêmica, sem que isso altere para pior a característica central do mercado de trabalho na atualidade: o emprego é alto e a taxa de desocupação é baixa.

Por que a força de trabalho recua? A razão não parece ser o “desalento”, que leva uma parcela da população a desistir de procurar trabalho. Não estamos nessa situação. Também não está relacionada diretamente à oferta maior e condições mais favoráveis para que os jovens permaneçam mais tempo no ensino formal ou se dediquem a cursos de formação ou aperfeiçoamento técnico e profissional.

A melhoria dessas condições de fato ocorreu, mas o que realmente proporcionou às famílias um raio de manobra mais elástico para planejarem o ingresso de seus membros no mercado de trabalho foi o aumento de rendimento, promovido, dentre outros fatores, pela redistribuição da renda.

Certamente, em certo momento futuro aumentará o ingresso de pessoas no mercado, talvez ampliando em alguns pontos percentuais adicionais o crescimento da força de trabalho, o que poderá ter efeito inverso ao que vem tendo atualmente sobre a taxa de desemprego. Nada disso parece estar em vias de ocorrer, pelo contrário, como já foi observado, a população economicamente ativa vem mantendo um ritmo regular de queda.


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