Por monica.lima

Não foram poucos os comentários furibundos, na última semana, sobre o fato de as autoridades competentes dos EUA terem concedido à Amazon.com a patente da fotografia com fundo branco — que é um recurso centenário nos estúdios mundo afora, e até mesmo fora deles. É muita cara de pau, decerto, mas trata-se também de uma ‘brecha da lei’ ou algo que o valha. É como os japoneses quererem patentear o açaí... Nem a Amazon inventou o fundo em branco para as fotografias, nem os japoneses inventaram o açaí. Bizarro.

Essa história me lembrou “Chutando a escada”, do sul-coreano Ha-Joon Chang, da Universidade de Cambridge. No livro, publicado em 2002, ele investiga como os países ricos começaram a enriquecer de fato. Baseado em ampla pesquisa histórica e dados econômicos, o professor levanta quais medidas foram tomadas para que os desenvolvidos conseguissem se distanciar do resto da Humanidade.

Chang diz que os ricos não seriam o que são hoje se tivessem adotado as políticas que agora recomendam às nações em desenvolvimento. Na época em que queriam decolar, no entanto, valia tudo: forte protecionismo, espionagem industrial, subsídios à exportação, violação de patentes e marcas etc e tal.

Um exemplo citado no livro: nos EUA, até 1836, as patentes podiam ser concedidas sem a exigência de qualquer prova de originalidade, o que facilitava o registro de tecnologias importadas. Alemanha também usou esse tipo de armação.

E aí, diz o Chang, quando os países ricos alcançaram ao topo da economia mundial, eles chutaram a escada que usaram para chegar lá, impedindo que outros pudessem seguir o mesmo caminho. Cercando-se de instrumentos legais e instituições que sirvam aos seus interesses, hoje os ricos reprovam e até proíbem algumas das práticas que os fizeram vencer. O que era perfeitamente aceitável lá no século XIX tornou-se um crime comercial-político- diplomático no século XXI. Que pode até desencadear o uso de força militar caso alguém se sinta agredido.

Seria exagero dizer que a China é uma reedição desse comportamento que os países ricos querem esquecer? Talvez não. A China cresceu horrores nos últimos anos, ganhou o planeta com produtos dos mais variados setores, e sua indústria não é exatamente o exemplo de respeito a patentes. Basta ver que chineses ricos não compram artigo de luxo no próprio país, simplesmente porque conhecem muito bem a sua procedência...

Os chineses não subiram a mesma escada dos países desenvolvidos. Trataram simplesmente de criar a sua própria, escalando-a com sua moral peculiar. A reboque, levaram junto alguns países da sua periferia.

E a Amazon com isso? Pelo jeito, ela está dando o primeiro passo numa nova etapa desse nosso sistema econômico de comportamento: vamos patentear o que ainda é de ‘domínio público’, e salve-se quem puder.

Alguém aí se habilita a patentear o oxigênio?

Uma boa sugestão de presente para a Copa

Às vésperas da Copa, a Motorola lança o Moto E DTV Colors, um smartphone de baixo custo que permite acesso aos canais abertos de televisão, que é a paixão número três dos brasileiros... Não por acaso, esse recurso só está disponível nos aparelhos vendidos aqui no país. No resto do mundo, nada de TV.

O Moto E é um filhote do bem sucedido Moto G, o smartphone mais vendido no Brasil em março passado — deixando o pessoal da Motorola rindo à toa. Se o mercado topo de linha já está mais do que exaurido, o negócio é mesmo conquistar, o quanto antes, as faixas de renda inferiores. E o Moto E está de olho nesse público. Bola dentro.

O novo aparelho roda sob Android 4.4.2, permite o uso de dois chips, tem uma tela (bem sedutora) de 4,3 polegadas resistente a respingos d'água e a arranhões, processador dual-core, câmera traseira de 5 megapixels, rádio FM, entrada micro SD para cartão de memória de até 32Gb e bateria que, diz a Motorola, dura o dia inteiro sem precisar de nova recarga. Em época de selfies, minha analista Luísa Studart logo sentiu falta da câmera secundária. Mas tudo bem, porque isso encareceria o aparelho.

Na versão sem acesso às TVs abertas, o Moto E custa R$ 529, se desbloqueado, sem plano de operadora. Já o Moto E DTV Colors, encontrado nas versões preto e branco, com capas removíveis (turquesa e pink, para o branco e turquesa e amarelo limão para o preto), custa R$ 599.

Enfim, o Moto E  (que é bom, bonito e barato) pode ser visto como uma ótima sacada de mercado da Motorola, que andou pagando muitos pecados, mas está firmemente decidida a voltar a brilhar. Potencial ela tem. O problema é que já não pode mais se arriscar, porque a Nokia também está querendo acordar.

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