Por douglas.nunes

Diz o presidente do Ibope, Carlos Augusto Montenegro, que as pessoas estão nauseadas e enfadadas com a política. Esta é sua explicação para o grande número de indecisos nas pesquisas de opinião, além da quantidade igualmente alta de votos nulos e brancos. Montenegro conhece como poucos o universo eleitoral, mas desta vez parece ter carregado nas tintas. Considerando que a eleição para presidente da República está marcada para o dia 5 de outubro e que a campanha só começará em julho seguida da propaganda oficial na TV em meados de agosto, é muito cedo para afirmar que a população está desinteressada. Existe, sem dúvida, um forte desgaste do sistema representativo. Isso, porém, não significa que o eleitorado ficará alheio aos debates em torno das principais candidaturas. Tudo vai acontecer no seu devido tempo.

O clima ainda é de pré-campanha. E está esquentando aos poucos, com a entrada em cena do ex-presidente Lula e com a ameaça de polarização entre PT e PSDB, sem dar espaço para escolhas alternativas que quebrem a rotina dos últimos anos. Lula vinha se guardando para etapas mais adiantadas da disputa, mas se viu forçado a arregaçar as mangas ao constatar que estão em xeque as realizações do PT nos últimos 12 anos, e não só a gestão de Dilma Rousseff. Cioso com seu legado, o ex-presidente decidiu partir para o ataque. Em Salvador, ele atirou no senador Aécio Neves e no ex-governador Eduardo Campos. “É só ver quem são os nossos adversários e ver qual é a política social que eles fizerem nos Estados para ver se não tem o dedinho do governo federal. Quem é que cuida dos pobres em Minas Gerais? Quem é que cuida dos pobres em Pernambuco? É o governo federal”.

Em referência direta à principal bandeira de Aécio, quando governou Minas, Lula disse que “choque de gestão é a maior balela que já vi nesse país”. Na véspera, o tucano e o petista também haviam trocado farpas sobre a compra da refinaria de Pasadena. Aécio afirmou que Lula tem que “dar uma satisfação sobre o negócio” e Lula disse que a compra foi devidamente esclarecida pelo ex-presidente da estatal José Sérgio Gabrielli e pela atual presidente Graça Foster. “Eu tenho, às vezes, impressão de que tem gente querendo fazer caixa dois com denúncias contra a Petrobras”, ironizou.

O bate-boca entre PT e PSDB não é novo. Mas afunila a disputa e cria um enorme problema para Eduardo Campos, que se apresenta como opção de terceira via. Se o neto de Miguel Arraes não se mexer, corre o risco de perder terreno e ficar para trás. Até agora, apesar dos apuros de Dilma com a Petrobras e a inflação de alimentos, ele não conseguiu avançar nas pesquisas. Há quem diga que o ex-governador de Pernambuco tem potencial porque ainda é pouco conhecido dos eleitores. Mas cabe aqui uma pergunta: O que garante que, com maior a exposição, Campos será beneficiado? E se acontecer o inverso e o candidato do PSB for definitivamente abandonado?

Nesta terça-feira, a cúpula do PSB se reuniu para discutir a melhor estratégia para evitar a prematura polarização do pleito. Pelo sim, pelo não, Campos já subiu o tom de suas críticas ao governo Dilma. Disse que não colocará “bandido” em seu governo e comparou a atual política energética a “um filme de terror”. Portanto, a temperatura da campanha está em alta. Que ninguém se iluda: quando o tiroteio começar para valer, os eleitores vão se manifestar.

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