Por douglas.nunes

Em março, Guido Mantega tornou-se o mais longevo ministro da história do País. Superou os oito anos de Pedro Malan e completará quase nove anos ao fim do atual mandato da presidente Dilma Rousseff. É um feito extraordinário. Mas exatamente pela longa permanência no comando da economia, é bem pequena a possibilidade de Mantega continuar no cargo se Dilma for reeleita. Ele mesmo diz a amigos e assessores que pretende se dedicar à vida acadêmica e também a escrever alguns livros. Mas, já que a troca é líquida e certa, alguns especialistas em campanha eleitoral têm recomendado que Dilma substitua seu ministro imediatamente para criar um fato político e, assim, reverter a queda nas nas pesquisas de opinião. A presidente, porém, confia em Mantega e resiste à ideia.

Se tudo correr bem para o governo e a sangria nas pesquisas for estancada, chegará a hora certa para Dilma Rousseff se debruçar sobre as alternativas. Enquanto isso, o mercado especula. Por prematuras que sejam, as apostas se concentram em três nomes: Alexandre Tombini, presidente do Banco Central, o ex-secretário executivo do Ministério da Fazenda Nelson Barbosa e o presidente do BNDES, Luciano Coutinho. Há quem diga que Dilma se entende muito bem com Tombini e faz elogios à política de combate à inflação do BC. Nelson Barbosa funciona como uma espécie de reserva de valor. Favorito para assumir a pasta em 2011, foi atropelado pela pressão do ex-presidente Lula a favor de Mantega, que assim conquistou a sobrevida. Hoje, está na FGV, mas seu nome continua citado. Corre por fora Luciano Coutinho, economista provado nos cargos que ocupou desde o governo Sarney. É sempre uma carta na mesa.

A essa altura, porém, tudo indica que a reeleição não será tão fácil quanto parecia. O vento não sopra a favor de Dilma, os eleitores não estão satisfeitos com os rumos da economia e começa chover na horta da oposição. Quem mais cresce nas pesquisa é o senador tucano Aécio Neves. E o próprio Guido Mantega está convencido de que, se o presidente do PSDB for eleito, o ministro da Fazenda será o ex-presidente do Banco Central Arminio Fraga. Tanto assim que, em entrevista no fim de semana, Mantega já assestou a alça de mira no adversário. Segundo ele, Arminio, em seus anos à frente do BC, elevou as taxas de juros e não conseguiu enquadrar a inflação na meta. O PT, disse o ministro, herdou do governo Fernando Henrique uma inflação de 12,5% ao ano. Conclusão de Mantega: “Armínio não tem muito o que dizer em matéria de inflação”. Não houve réplica, mas o debate entre tucanos e petistas ainda está em fase de aquecimento.

Até por exigência da legislação eleitoral, há que mencionar o ex-governador Eduardo Campos, que se apresenta como terceira via, mas sem conseguir evitar a polarização entre PT e PSDB. Dizem que o comando da Fazenda num improvável governo Campos seria ocupado por Roberto Setúbal, presidente do Itaú, o maior banco do país. Ele é irmão de Maria Alice Setúbal, a Neca, também herdeira do Itaú e amiga dileta da ex-senadora Marina Silva. Executivo de primeira grandeza, Roberto mantém relações apenas burocráticas com o Dilma e Mantega. É uma opção de Campos, mas também poderia ser aproveitado por Aécio Neves. Portanto, nomes não faltam para ocupar a Fazenda. Mas, se a oposição não virar o jogo, a escolha será de Dilma Rousseff.

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