Enfraquecimento nas atividades de manufatura e serviços, em junho, ressalta a fragilidade da recuperação na região formada por 18 países

Por O Dia

As atividades de manufatura e de serviços na zona do euro se enfraqueceram em junho em meio a uma maior desaceleração na economia da França, o que ressalta a fragilidade da recuperação na região de 18 países.

Um Índice de Gerentes de Compra (PMI) para ambas as indústrias caiu de 53,5 para 52,8 em junho, disse hoje a Markit Economics. É o 12° mês em que a escala supera 50, a marca que sinaliza expansão. Economistas tinham previsto uma leitura de 53,4 pontos, segundo a média de 25 estimativas em uma pesquisa da Bloomberg News. Uma medição da fabricação na China subiu a seu nível mais alto em sete meses.

A zona do euro está tendo problemas para sustentar uma recuperação que recebeu uma avaliação sombria do FMI em 20 de junho. Neste mês, o Banco Central Europeu introduziu uma taxa de depósitos negativa, anunciou empréstimos selecionados para estimular a concessão de créditos e reteve a perspectiva de compras de ativos para alimentar o crescimento e a inflação na região.

“O ritmo de recuperação está desacelerando”, disse Martin van Vliet, economista sênior do ING Groep NV em Amsterdã. “O maior enfraquecimento do PMI vindica a recente decisão do BCE de tomar mais medidas de flexibilização monetária”.

Fabricação na China

Na China, uma medição preliminar do PMI fabril da HSBC Holdings Plc e da Markit subiu para 50,8, superando a média de 49,7 das estimativas dos analistas consultados pela Bloomberg News, e deu uma leitura final de 49,4 em maio.

A escala de fabricação da zona do euro caiu para 51,9 em junho após registrar 52,2 em maio, e a medição para serviços recuou de 53,2 para 52,8.

“Com sorte, as recentes medidas de estímulo do BCE ajudarão a reavivar o crescimento novamente, o que já poderia ser evidente, pois a pesquisa observou em junho o maior aumento nos fluxos de entrada de novos negócios em três anos”, disse Chris Williamson, economista-chefe da Markit em Londres. “Mas existe a preocupação de que uma segunda queda mensal consecutiva no índice sinalize que a recuperação da zona do euro esteja perdendo impulso”.

Os dados são consistentes com o crescimento de pelo menos 0,4% no trimestre atual, duas vezes mais do que nos três meses anteriores, disse Williamson. Embora a França “pareça estar entrando numa nova retração econômica” e projete-se que a Alemanha se expanda 0,7%, o crescimento trimestral no restante da região será o mais forte em quase sete anos, disse ele.

Alemanha e França

Uma escala de fabricação da Alemanha subiu de 52,3 para 52,4 em junho, ao passo que o índice francês caiu de 49,6 para 47,8.

A recuperação da zona do euro “não é robusta nem suficientemente forte”, disse o FMI na semana passada, notando que a produção continua abaixo dos níveis prévios à crise, que a taxa de desemprego de 11,7% é “inaceitavelmente alta” e que a inflação é “preocupantemente baixa”.

A alta dos preços ao consumidor na zona do euro desacelerou para 0,5% em maio, igualando o nível mais fraco em mais de quatro anos. O BCE, cuja é meta é manter a inflação um pouco abaixo de 2%, reduziu suas perspectivas neste mês, prevendo uma média de 0,7% neste ano, 1,1% em 2015 e 1,4 por cento em 2016.

Em 21 de junho, o presidente do BCE, Mario Draghi, indicou numa entrevista publicada recentemente pelo jornal holandês De Telegraaf que provavelmente as taxas de juros continuem baixas pelo menos por mais dois anos e meio. O vice-presidente Vítor Constâncio sinalizou na semana passada que compras de ativos em grande escala são o próximo passo que os decisores políticos estão preparados para dar caso a perspectiva de inflação piore.

Os decisores políticos comprarão valores garantidos por ativos daqui a um ano, segundo mais de três quartos dos consultados na Pesquisa Mensal da Bloomberg. Mesmo que a maioria dos economistas dissesse que as taxas de juros se manterão nos níveis atuais pelo menos até 2016, eles se mostram divididos quanto a se o BCE empreenderá uma flexibilização quantitativa de base ampla.