Gustavo Caetano, CEO da Samba Tech, se baseia na sua própria experiência empreendedora, para dar dicas a quem está começando no mundo das startups

Por marta.valim

O presidente da Associação Brasileira de Startups (AbStartups) e CEO da startup Samba Tech, Gustavo Caetano, dá conselhos a novos empreendedores que, em um primeiro momento, podem soar estranhos, como “fracasse rápido” e “planeje menos”. Mas, no mundo da inovação, as lições também não podiam ser como antes.

Em uma palestra, no I Workshop de Inovação e Educação, realizado pela universidade Estácio, Caetano explicou alguns desses conceitos. Para ele, o mundo está em rápida transformação, o que não justifica, por exemplo, um longo planejamento. Essa etapa é importante, mas o presidente da AbStartups dá mais valor à prática, uma lição que aprendeu com um dos fundadores do Netscape. “Vivemos em um mundo que as coisas mudam tão rapidamente que, se a gente parar para se planejar para daqui a cinco anos, daqui a seis meses mudou tudo e acabou o planejamento. Durante esse tempo, o Google já lançou o que você planejava e de graça”.

Segundo ele, o momento atual é de experimentação, teste e validação de ideias, e não de planos de negócio longos e complexos, o que está ligado diretamente ao conselho de “fail fast” (fracasse rápido). Caetano cita como exemplo a rede PayPal, cujo criador mudou de plano de negócios várias vezes, antes de fundar o que viria a ser o maior sistema de pagamento online do mundo. Outro exemplo é o da rede de compartilhamento de fotos, Flickr, que surgiu como uma ferramenta de um jogo online criado em um ambiente universitário no Canadá, o Game Neverending. No fim, acabaram com o jogo, a rede continuou e foi vendida por US$ 100 milhões para o Yahoo!.

“A lógica de todas essas startups não é a de acertar a todo o custo, mas tentar errar o mais rápido possível para fazer as correções e voltar para o mercado. Não é um mundo em que se eu errar, vou perder meu emprego”, afirma ele. “Essas empresas estão sempre pensando no futuro, mas como é muito difícil prevê-lo, temos que pensar em caminhos mais curtos”, completa.

A mudança também é visível na esfera da competitividade. Hoje, empresas com pequena estrutura podem desafiar grandes conglomerados. “Os competidores não são mais os tradicionais. O Whatsapp, com 35 funcionários, ameaça a receita de SMS da Vivo, com milhares de funcionários”.

Gustavo Caetano conhece bem esse mercado. Mineiro de Araguari, Caetano começou a empreender em 2004, aos 19 anos, no fim de seu curso de marketing na ESPM do Rio. Ele começou sua startup, a Samba Tech, oferecendo jogos de celular, fornecidos pela produtora de games britânica Braisntorm, para operadoras de telefonia latino-americanas. O negócio, que começou com um investimento de US$ 100 mil de um amigo do pai, cresceu e se expandiu pela região, mas Caetano sentiu que seu futuro poderia estar ameaçado, já que seu papel era apenas importar jogos. Foi então que sua startup começou a oferecer soluções de vídeo online, setor com o qual trabalha atualmente.

Para Caetano também é importante prestar atenção no tamanho da empresa. “Quanto menor, melhor. Mantenha um negócio pequeno, por mais que ele cresça”, aconselha ele, explicando que, mesmo nas grandes companhias, há pequenas equipes e unidades responsáveis por tarefas específicas, o que confere agilidade às decisões. “A lógica das startups passa a ser usada também dentro das grandes empresas”, acrescenta ele.

Outro conceito adotado pelo presidente da ABStartups é o “power to the edge” (poder para as pontas). “Uma regra que eu aprendi com um general do Seals (força especial da marinha norte-americana) é dar poder às pontas. Os jovens vão cada vez mais ao mercado de trabalho querendo tomar decisões, é por isso que eles se encontram mais nas startups”, analisa Caetano.

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