Cientistas políticos dizem que não é possível prever comportamento dos eleitores do PSB. Partido tem 10 dias para escolher novo candidato

Por O Dia

Rio e SP- Com a morte de Eduardo Campos nesta quarta-feira em um acidente de avião, o PSB poderá escolher, em até dez dias, um novo nome para concorrer à Presidência da República pelo partido. De acordo com a legislação eleitoral, é "facultado ao partido a coligação ou a substituição do candidato". A partir de agora, todas as atenções estarão concentradas no PSB e em como o partido deverá se comportar em relação à campanha. Segundo o cientista político e professor de Ciências Sociais da PUC-Rio, Ricardo Ismael, a campanha, passada a comoção do pós-morte, será pautada na disputa pelos eleitores do partido. Para o cientista político e professor da FGV- SP, Cláudio Couto, o cenário mais óbvio é Marina Silva, vice na chapa de Campos, assumir a candidatura, o que ele levaria a disputa para um segundo turno entre a presidente Dilma Rousseff e o senador Aécio Neves.

De acordo com Couto, é uma decisão que será tomada em conjunto, entre o PSB e os partidos da coalizão. “No entanto, existe a remota possibilidade de a Marina não concorrer por não querer assumir uma candidatura montada em uma tragédia ou por não ter um projeto pessoal”, disse Couto, que não enxerga outro nome do PSB para assumir a candidatura. “Essa decisão deve ser tomada antes do prazo oficial, por conta do início da propaganda eleitoral na televisão e no rádio, no dia 18 de agosto”, afirmou.

Caso Marina assuma a candidatura, Couto acredita que o segundo turno entre a presidenta Dilma Rousseff e o senador Aécio neves será certo. “Nesse caso, essa será a eleição mais disputada desde 1989 (quando Fernando Collor, então do PRN, venceu Lula, do PT, com 53% dos votos válidos)”, apontou o cientista político.

Caso Marina não assuma a candidatura, Couto acredita que os votos de Eduardo Campos devem migrar em maior número para a presidenta Dilma Rousseff. “Isso já era apontado nas pesquisas de intenção de voto em um cenário de segundo turno entre Dilma Rousseff e Aécio Neves”, relembrou.

Abaixo, entrevista com o professor da PUC-Rio Ricardo Ismael

Como fica o cenário político a partir de agora?

É preciso esperar as próximas 48 horas para saber o comportamento dos partidos. Ninguém vai se pronunciar nesse primeiro momento porque há um estado de choque geral, inclusive entre os candidatos rivais. Havia uma campanha em curso no país que começou a tomar corpo e notoriedade com a entrevista ao Jornal Nacional da Rege Globo. Entretanto, três cenários políticos podem se desenhar a partir de agora. No primeiro, o PT pode tentar impedir a candidatura própria do PSB e atrair o partido para apoiar a candidatura de Dilma Rousseff. Vale lembrar que os partidos já foram aliados. No segundo, a legenda pode lançar alguma liderança do PSB já mais antiga no partido para apresentar a candidatura. Já o terceiro cenário, e mais provável deles, fica por conta da candidatura de Marina Silva à Presidência.

Caso seja candidata, Marina enfrentará campanha acirrada?

Marina Silva certamente será bombardeada durante a campanha, caso seja candidata. Os maiores ataques virão do PT que enxergam nos eleitores de Campos potenciais eleitores. O que interessa ao Pt nesse momento é polarizar a disputa e tentar resolver a eleição no primeiro turno. Marina vai precisar de apoio incondicional do partido para seguir em frente.

PSB pode mudar o candidato?

Pela lei eleitoral o partido tem 10 dias para substituir o candidato e acho que Marina Silva será a escolhida pelo partido. Ela é uma política forte.

Para quem migraria os votos de Eduardo Campos?

A candidatura do PSB tem clara postura de oposição ao governo Dilma. Pelas próprias declarações de Campos, a campanha seria de intensa disputa com o PT, logo, os eleitores do PSB também são de oposição ao PT. Nesse sentido, o quadro atual fica embaralhado, e esses votos passam agora a ter uma dinâmica própria. Ninguém é dono desse voto.

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