Por douglas.nunes

Já está se tornando uma rotina macabra. Ontem, um grupo jihadista argelino ligado ao Estado Islâmico divulgou na internet um vídeo que exibe a decapitação do refém francês Hervé Gourdel. Segundo os assassinos, trata-se de uma “mensagem de sangue ao governo francês”, que não acatou o ultimato dos terroristas para acabar com os ataques no Iraque. A França confirmou a execução e o presidente François Hollande disse, em discurso na Assembleia Geral da ONU, em Nova York, que não cederá à barbárie dos jihadistas. “Hervé Gourdel foi assassinado por um grupo terrorista de forma cruel e vergonhosa. Penso nele. Ele tinha ido à Argélia por sua paixão pelas montanhas. Foi vítima de um crime hediondo, e os autores devem ser punidos”, afirmou Hollande, advertindo que vai garantir a segurança de seus compatriotas.

Outra triste notícia de ontem: a polícia de Melbourne, na Austrália, matou “um conhecido suspeito de terrorismo”, que esfaqueou dois agentes do grupo antiterror. A ação policial ocorreu um dia após o Estado Islâmico convocar os jihadistas a matar cidadãos australianos como retaliação ao apoio do país da Oceania aos ataques dos EUA contra os radicais sunistas na Síria. Ao ser interpelado durante depoimento numa delegacia, o jovem, de 18 anos, que era vigiado pelos órgãos de inteligência, conseguiu sacar uma faca e feriu dois policiais. Ele teria feito ameaças ao primeiro-ministro Tony Abbot. A existência de um simpatizante do EI na terra dos cangurus não chega a surpreender. Recentemente, soube-se que um jovem brasileiro também abandonou a família e aderiu aos jihadistas. A mãe teme que ele se transforme em homem-bomba.

Estes fatos e a decapitação de reféns americanos e ingleses não deixam dúvidas sobre a natureza extremista do Estado Islâmico, um ramo ainda mais radical do que a Al Qaeda. Obviamente, a Casa Branca não ficaria de braços cruzados diante da nova ameaça terrorista. Apesar dos compromissos de Barack Obama com a paz, ou ele reagia ou entrava para a história dos EUA como um presidente tíbio. Obama decidiu-se pela guerra. Ontem, no segundo dia de bombardeio contra alvos da EI na Síria, afirmou, na ONU, que “a única linguagem compreendida por assassinos como esses é a da força”. E explicou por que optou pela violência: “Esse grupo aterrorizou todos os lugares pelo qual passou. Mães, irmãs e filhas foram violentadas. Crianças inocentes foram assassinadas a tiros. Mataram minorias religiosas de fome. Nada justifica esses atos. Não pode haver negociação”.

A presidente Dilma Rousseff, que falou antes de Obama na Assembleia Geral, discorda taxativamente. Em discurso da lavra do assessor para assuntos internacionais Marco Aurélio Garcia, Dilma disse que “a cada intervenção militar não caminhamos para a paz, mas, sim, assistimos ao acirramento desses conflitos”. E foi adiante em sua crítica à ação americana: “Verifica-se uma trágica multiplicação do número de vítimas civis e de dramas humanitários. Não podemos aceitar que essas manifestações de barbárie recrudesçam, ferindo nossos valores éticos, morais, civilizatórios.” Depois, em entrevista, ela preferiu usar uma imagem simbólica: “Sabe aquele negócio quando você destampa a caixa e saem todos os demônios? Os demônios estão soltos. Todos”. Com a devida licença da presidente, será que é possível negociar com demônios?

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