Por douglas.nunes

O primeiro turno da campanha eleitoral entra na reta final e os ânimos começam a ficar bastante exaltados. Pelo se percebe nos debates e no horário obrigatório de rádio e TV, os principais candidatos à Presidência andam com os nervos à flor da pele. O resultado são cenas de forte carga emocional, que podem fazer a cabeça dos eleitores muito mais até do que as plataformas de governo. Desde o início da semana, circulam nas redes sociais dois exemplos que trazem a marca da tensão do momento. No primeiro, o senador Aécio Neves é surpreendido com um ataque contundente da candidata do Psol, Luciana Genro, na réplica a uma pergunta que ele fez durante debate na rede de tevês católicas. No segundo exemplo, a ex-ministra Marina Silva, com voz embargada, faz um relato de vida num comício em Fortaleza, no Ceará, que lembra os melhores momentos do ex-presidente Lula.

Do alto de seus cabelos encaracolados, Luciana Genro passou ao largo do tema sugerido por Aécio – os gargalos na educação básica -- e repetiu suas críticas aos desvios éticos de integrantes do PT e do PSDB. Ao responder, centralizou o foco nos mensalões dos dois partidos e também nas negociações no Congresso para mudar a Constituição e garantir a reeleição de Fernando Henrique Cardoso em 1998. Sem esconder o espanto com a investida, Aécio lamentou que ela se apresentasse na campanha como uma linha auxiliar do PT. Mas recebeu de volta um golpe ainda mais duro: “Com todo respeito, linha auxiliar é uma ova, candidato Aécio, porque o PT aprendeu com o senhor, com seu partido”. Após a réplica do candidato tucano, Luciana acusou-o de ter usado dinheiro público para construir um aeroporto em benefício da própria família. “Inclusive entregou a chave para seu tio”. Para azar de Aécio, a gravação tornou-se viral na internet.

No caso de Marina Silva, também houve surpresa, porém de outra ordem. Embora seja conhecida sua longa trajetória na vida pública – de vereadora em Rio Branco a senadora e ministra de Estado –, não se sabia que a ex-ministra é boa de palanque, como se diz no jargão político. De repente, ela apareceu com um microfone na mão, falando em cima de um carro de som e deixou boquiaberto até o vice Beto Albuquerque, ao seu lado. De dedo em riste, afirmou que vai manter o Bolsa Família e explicou o porquê. “Nasci lá no Seringal Bagaço. Eu sei o que é passar fome. Tudo o que minha mãe tinha para oito filhos era um ovo e um pouco de farinha e sal com umas palhinhas de cebola picada”. Lembrou ainda que seu pai e sua mãe passavam o dia sem comer para alimentar os filhos. E concluiu, em tom de revolta: “Quem viveu essa experiência jamais acabará com o Bolsa Família. Não é um discurso, é uma vida”.

Portanto, a quinze dias da ida às urnas, a campanha se volta para os corações e mentes dos eleitores. Nessa hora, todos os trunfos serão postos à mesa. Mesmo sem qualquer chance, a ex-petista Luciana Genro mostrou que é capaz de desnortear adversários de mais peso. Polemista de berço, ela quase jogou Aécio na lona. Já Marina deixa claro que, daqui para frente, não vai abrir mão de seu carisma. Pelo que se viu, a presidente Dilma Rousseff e o senador Aécio Neves terão que mudar o rumo de seus discursos. Na reta final, vão falar mais alto a firmeza de atitude e os exemplos pessoais. É hora de improviso dos candidatos, e não de roteiro frio de marqueteiros.

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