Por douglas.nunes

Depois que Dilma Rousseff anunciou que, se reeleita, não pretende manter Guido Mantega à frente do Ministério da Fazenda (a pedido do próprio, disse depois), o mercado deu início a mais um de seus jogos especulativos. Desta vez, o desafio é adivinhar quem será o próximo responsável pela política econômica. Na hipótese de recondução de Dilma, os nomes mais cotados são Nelson Barbosa, ex-secretário-geral da Fazenda, hoje na FGV, Luciano Coutinho, presidente do BNDES, e Otaviano Canuto, assessor do Banco Mundial para os Brics. Se Marina Silva emplacar, sabe-se apenas que ela é assessorada pelo economista Eduardo Gianetti da Fonseca e ouve também André Lara Resende, um dos autores do Plano Real. Apesar da chance remota de chegar ao segundo turno, Aécio Neves foi o único que antecipou o titular do cargo em seu improvável governo: Armínio Fraga, presidente do Banco Central no segundo mandato de FHC.

Embora Aécio esteja praticamente alijado do páreo, o setor financeiro não esconde a simpatia por Arminio. Ex-assessor do bilionário George Soros e fundador do Gávea Investimentos, tudo que o professor da PUC fala soa como música aos ouvidos dos frequentadores da BM&F e da Bovespa. Ele representa a antítese da corrente de pensamento que se tornou hegemônica no governo Dilma. Existe um fosso entre os economistas desenvolvimentista e Armínio Fraga. Se Dilma e Mantega acreditam piamente que a mão do Estado é capaz de corrigir todos os defeitos da economia, Arminio é um liberal convicto. Para ele, as leis dos mercado funcionam como cláusulas pétreas. E ao serem desrespeitadas, fazem a economia desandar. Por princípio, ´é defensor do fim dos subsídios da Petrobras ao preços dos combustíveis e prega a isenção fiscal para exportações e investimentos do setor produtivo.

Sob a batuta de Arminio, o intervencionismo estatal estaria com os dias contados. Exatamente por isso, ele é o queridinho da iniciativa privada. Ontem, o economista tucano foi alvo de reportagem elogiosa do “Financial Times”. Assinado pelo repórter Joe Leahy, o texto informa que “a avaliação de Arminio sobre o que está errado no Brasil explica porque ele é a escolha do mercado para ministro da Fazenda após a eleição do próximo mês”. Em sua conversa com o jornalista inglês, o autor do programa econômico do PSDB afirma que “há uma clara sensação de que o governo (Dilma) está perdido, escolheu o modelo errado”. Ele descarta que o país já esteja enfrentando uma crise, mas ressalta que existem abaixo da superfície problemas “assustadores” e que as pessoas estão muito mais preocupadas do parece”.

As raposas das finanças devem ter adorado a reportagem do FT, que traz o título “Armínio Fraga oferece ao Brasil uma caminho ortodoxo”. Joe Leahy conseguiu tirar do ex-presidente do BC sua receita para a economia brasileira. Eis alguns dos principais pontos: redução gradual da inflação até conseguir baixar o centro da meta de 4,5% para 2%, resgate da credibilidade fiscal com o fim da contabilidade criativa, e critérios mais transparentes nos financiamentos do BNDES com redução do papel do banco de desenvolvimento. São medidas muito parecidas com as defendidas pelos assessores de Marina. Não espantaria, portanto, que Armínio fosse aproveitado no caso de vitória da ex-ministra. Ele nega. Mas, diante da afinidade teórica, teria uma lugar garantido.

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