Por O Dia

Até o fim do ano, chova ou faça sol, não deve haver redução da taxa básica de juros. Na análise meticulosa do Departamento de Estudos Econômicos do Bradesco, está reforçada “a percepção de manutenção da taxa Selic no patamar de 11% por tempo prolongado”. Não haverá novo recuo nos juros porque as projeções do Copom indicam que a inflação só vai entrar em convergência para o centro da meta nos trimestres iniciais de 2016. Surgem os primeiros sinais de moderação dos indicadores do nível de preços e o BC substituiu o termo “resistência” por “certa persistência da inflação”. Mas, até segunda ordem, prevalece a decisão de manter o torniquete dos juros apertado, mesmo ao custo de um crescimento menor das vendas e da produção.

Vale ressaltar que a ata guarda coerência com o curto comunicado que se seguiu à reunião da semana passada, quando o Copom manteve a taxa Selic, mas suprimiu a expressão “neste momento”. De forma exaustiva, explicou-se que a diretoria do BC quis mostrar ao mercado que a Selic ficará aonde está por longo período. Até o fim de 2015, no caso de Alexandre Tombini e seus colegas continuarem no comando da política monetária.

Nessa hipótese – plausível, a considerar a opinião dos eleitores que, em sua maioria, apontam Dilma como vencedora da corrida eleitoral — o Brasil manterá a coroa de recordista mundial de taxas de juros reais. O que significa que os grandes bancos comerciais – privados e estatais – continuarão a dar as cartas na economia brasileira. Não é por acaso que Itaú, Bradesco, Banco do Brasil e Caixa Econômica, a cada semestre, exibem lucros robustos, de matar de inveja os maiores grupos industriais.

O setor financeiro nada de braçada há muitas décadas. Mas, de repente, no calor do embate eleitoral, os bancos comerciais foram postos no pelourinho. Tornaram-se os vilões da hora. Na discussão sobre o Banco Central independente, põe-se na mesa, como argumento certeiro e definitivo, o poder que as instituições financeiras ganhariam na estrutura sugerida por Marina Silva. Quem acompanha o eterno debate sobre a autonomia do BC tende a considerá-lo supérfluo. No limite, quem tem razão é a professora Maria da Conceição Tavares:

“O BC independente é uma patetice”. Mas é exagero afirmar que os bancos teriam absoluto domínio sobre a política econômica. Se assim fosse, o presidente dos Estados Unidos, em suas relações com o mercado financeiro, mandaria menos que a rainha da Inglaterra. O que não é verdade.

Os bancos exercem um papel importantíssimo no desenvolvimento nacional, e a classe política sabe disso. São eles que irrigam os canais de crédito essenciais para a vida das famílias e das empresas. Se cobram spreads exagerados, fazem-no com o sinal verde do BC e da Fazenda. Outro ponto chama atenção no ataque generalizado ao sistema bancário, pela total incongruência. Uma das principais fontes de financiamento das campanhas eleitorais são os maiores bancos do país.

Em 2010, o Itaú contribuiu com R$ 4 milhões para o comitê de Dilma Rousseff e com a mesma quantia para o de José Serra. Mas este ano, com a radicalização dos discursos, só falta os políticos usarem a famosa frase do dramaturgo Bertolt Brecht: “Melhor do que um roubar um banco e fundar um”.

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