Por O Dia

Rio - Tenho uma tendência enorme de gostar de quem gosta de mim e abrir mão de quem não gosta. Em vez de ficar insistindo em conquistar as pessoas, sinto-me conquistada por saber que sou querida. E uma vez que se dá esse encontro, aí, sim, parto para a conquista. Frequente, ainda que não seja diária. Olhar no olho, ter bom humor, mostrar-me disponível são algumas das minhas atitudes. Apesar da falta de tempo da vida hoje em dia, estar ao alcance de um telefonema, uma mensagem, é outro passo.

Por isso, meus amigos são também assim: estão sempre disponíveis, mesmo que não me liguem todos os dias, que não sejam pegajosos. Essa mania de demonstrar amor em grude é válida e muito gostosa (quem não gosta de carinho?), cada um tem a sua forma de amar, mas amar não é tão rígido. Nem precisa. O excesso de exigências, cobranças e declarações pode soar até ‘fake’.

Amar também é dar colo, fazer um Nescau, uma salada saudável, chamar pro cinema, estar presente em aniversários, batizados, casamentos e funerais, mesmo que sejam longe, ao lado de casa, muito cedo ou tarde demais. Eventualmente. Amar é estar.

É muito comum no ser humano se botar em primeiro lugar. Isso deve justificar aquele meu começo lá em cima. Afinal, gostar de quem gosta da gente é uma demonstração de amor próprio. Mas nem sempre se botar em primeiro lugar é o mais reconfortante, pois uma sensação muito boa é a de vazio preenchido, de mel descendo pela garganta, coisa que a gente atinge sendo altruísta, um orgulho que vem em troca de generosidade. Agradar é tão bom ou melhor do que ser agradado. É daí que vem a experiência tão boa de viver: trocar. Doar-se é tão primordial para o crescimento quanto necessidades vitais. É como ter sede e beber água, ter frio e cobrir-se, ter calor e refrescar-se.

É claro que gostaria que algumas pessoas que amo me amassem, mas fazer o que se não? Pensar muito para ver se atinge a pessoa pela força do pensamento? Aparecer de repente no caminho dela? Curtir suas fotos nas redes sociais? Escrever uma carta? Emprestar dinheiro? Oferecer ajuda? Mostrar que você é bom o suficiente? Ou ter paciência?

Certas coisas são como doação. É difícil dar e não receber. Por isso as relações estão cada vez mais esvaziadas e centradas no próprio prazer. Por que vou amar quem não me ama? Por doação, que seja. Por natureza. Naturalmente.

E-mail: karlaprado@odia.com.br

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