Por O Dia

O mercado financeiro adorou a ata da 187ª reunião do Comitê de Política Monetária do Banco Central. Analistas de bancos e corretoras, que vinham mostrando profundo desencanto com a política econômica do governo nos últimos dois anos, receberam o texto do Copom como um presente de Natal da equipe comandada por Alexandre Tombini. Estão convictos de que a dupla Joaquim Levy/Nelson Barbosa está afinada e vai dar uma guinada radical nos rumos da economia. Se dúvida havia, foi desfeita pelo longo arrazoado dos oito membros do Copom ao justificar a elevação da Selic para 11,75% ao ano. Daqui para frente tudo promete ser diferente. O Banco Central não deve continuar enxugando o gelo da inflação, pois passará a contar com as doses de ajuste fiscal aplicadas pela Fazenda e pelo Planejamento. O novo roteiro entrará em cartaz em janeiro. Sob aplausos dos senhores do Universo.

Os alquimistas da economia estão chegando. Levy e Barbosa têm carta branca de Dilma Rousseff para tirar o país da estagflação. Mesmo antes de assumir, provocaram uma radical mudança nos humores do BC. Até então pessimista, a instituição admitia suas limitações e explicava que, sem uma política fiscal ativa, a política monetária não faria milagres. Agora, sopram novos ventos. A diretoria do BC, na ata, afirma que “no horizonte relevante para a política monetária o balanço do setor público tende a se deslocar para a zona de neutralidade e, além disso, pondera que não se pode descartar migração para a zona de contenção fiscal”. O Copom ressalta também que “a geração de superávits primários compatíveis com as hipóteses de trabalho contempladas nas projeções de inflação contribuirá para criar uma percepção positiva sobre o ambiente macroeconômico no médio e no longo prazo”.

Portanto, graças à promessa de ajuste fiscal,voltou a reinar a paz na imponente sede do BC, em Brasília. Os dias de luta solitária contra a inflação acabaram. Agora, Tombini terá o apoio de seus colegas da Esplanada dos Ministérios. Obviamente, o crescimento da economia sofrerá num primeiro momento, mas esse será o preço a pagar para recuperar a credibilidade dos agentes econômicos. O Copom “avalia que, em prazos mais longos, emergem perspectivas mais favoráveis à competitividade da indústria, e também da agropecuária”. Prevê também a alocação mais eficiente dos fatores de produção da economia e ganhos de produtividade. Faz apenas uma ressalva: “A velocidade de materialização das mudanças acima citadas e dos ganhos delas decorrentes depende do fortalecimento da confiança de firmas e famílias”.

Apesar da prudência, a diretoria do BC aposta que a atividade econômica deve entrar em trajetória de recuperação no segundo semestre do ano que vem, com crescimento moderado do consumo e novo impulso nos investimentos. Além disso, a geração de superávits primários terá repercussão favorável no custo de capital de modo geral, “o que estimulará o investimento privado no médio e no longo prazo”. Já a inflação tende a permanecer elevada em razão do realinhamento de preços administrados e dos preços relativos, mas deve entrar em longo período de declínio em 2015. Na previsão de Tombini, a inflação vai se encaminhar para o centro da meta no final de 2016.

O Banco Central, como se vê, está mais otimista do que nunca. Mais feliz do que pinto no lixo.

Últimas de _legado_Notícia