Por O Dia

Melhor estepe na tampa, mais bonito no asfalto molhado, reflexo mais elegante nos vidros… Melhor isso ou aquilo, a temporada dos prêmios automotivos disputa incongruências e acentua influências. Mas como em todo CD tem pelo menos uma música boa, alguns deles fogem do orgasmo dos executivos das fábricas e refletem, de fato, tendências e qualidades dos produtos, como o Americar, que envolve 52 jornalistas do Mercosul, distantes entre si e pouco influenciáveis pelo lobby das montadoras. Outro que merece destaque é o Prêmio Maior Valor de Revenda, da Autoinforme. O foco direto no bolso do consumidor, na hora complicada de trocar de carro, acaba enriquecendo o sentido do prêmio e consegue apontar opções reais de compra sem os absurdos prejuízos que alguns modelos geram, muitas vezes ainda com baixíssima quilometragem. Passa agora a ser referência.

As colocações de ‘melhor ou pior’ já circulavam a ‘boca pequena’, em caráter restrito, através dos levantamentos da Molicar, publicados no site Autoinforme. Agora são públicos. 

Neste primeiro ano, o site apontou o hatch Onix, da Chevrolet, o melhor, com depreciação de 8,5% após o primeiro ano de uso. A pesquisa é de preços médios confrontados com o valor do ‘zero’, em novembro de 2013.

Segundo o jornalista Joel Leite, do site Autoinforme, o valor de revenda reflete variáveis tão distantes quanto a rede concessionária e seu serviço, o preço das peças e até a opinião de quem tem o carro. O jornalista afirma que o mérito do prêmio está no próprio carro, em uma conjunção de pós-vendas, volume e no respeito ao mercado secundário, que entrega oito vezes mais carros que o mercado de novos, ou 15 milhões de carros por ano. Na opinião de Joel Leite, também o passado arrastado como um longo rabo atrás das marcas. A história do Fusca e do Opala confirmam estas variáveis para a VW e Chevrolet, por exemplo.

O jornalista destaca o poder de convencimento dos mecânicos, tradicionais formadores de opinião. Dos taxistas e jornalistas especializados também. Sobre o Onix, o grande vencedor, Joel Leite revela que ele tem sido o mais bem colocado nos últimos meses e o resultado é sólido, “mas pode mudar em março, por exemplo”. Sobre os piores colocados, o especialista afirma que eles sabem onde são falhos e não buscam melhorar por uma questão de custos. “Construir uma imagem é muito caro e demanda anos”, acrescentou. “Assim, estas marcas que buscam só fluxo de caixa e não aceitam nem seus usados na troca por um novo estão vivendo do comprador espasmódico, por impulso, e não formam um público fiel”, finaliza.

PONTO-A-PONTO

? A venda de novos na Argentina chegou ao fundo do poço, com menos de 39 mil emplacamentos em novembro. É o pior desde a crise de 2009 e arrasta também o Brasil, já balançado pela restrição de crédito, para o fraco desempenho em 2014. Este ano, aliás, é esperada a ultrapassagem do México sobre o Brasil em volume de produção e vendas.

? Vai entender. Enquanto uns choram, outros vendem lenços e a Ford celebra o crescimento do Ka, veloz atrás de Palio e Gol, que lideram por apenas 400 unidades no mês. A Audi arrebenta e cresce 105% no Brasil, com o sucesso do A3.

? Em joint venture, a Ford iniciou a produção do EcoSport na Rússia. As versões são parecidas com as do Brasil, mas a homologação envolveu novos testes, por conta das temperaturas do inverno rigoroso.

? Pesquisa inédita da Arval aponta os modelos preferidos pelos executivos. O Corolla e a Amarok são os líderes das escolhas na terceirização de frotas. A pesquisa ouviu quase três mil executivos e apontou também a picape Hilux, o Cruze, o Fusion, o New Civic como possíveis escolhas. O público da Arval mostrou clara preferência por sedãs, SUVs e picapes nas próximas opções de locação.

? A BMW oferece dois novos Série 4 no Brasil: 420i Cabrio e 428i Gran Coupé. A dupla completa a gama que já tem o 428i Cabrio, 435i Coupé e o esportivo M4, este nas versões Coupé e Cabrio. Sob o capô do Cabrio, motor 2.0 litros turbo com 186 cv. Os preços começam em R$ 210 mil para o Cabrio. No Gran, R$ 224 mil.

À espera do SUV

A VW promete um conceito de SUV próximo das formas finais de produção. Ele estará em destaque no Salão de Detroit, em janeiro, e irá ampliar a gama de utilitários- esportivos da marca nos Estados Unidos, hoje restrita ao Touareg e Tiguan. Como os outros dois, o novo carro também terá cinco lugares,
e ainda será vendido aqui.

Turbo ébrio

Um ano depois de lançar o C4 Lounge, a Citroën estreia a nova versão. É a THP Flex, que traz sob o capô o consagrado motor turbo 1.6 16V que agora queima também etanol. O C4 Lounge THP Flex chega com acabamentos Tendance ou Exclusive, e preços de R$ 78.790 e R$ 85.490. O THP modificado passou a gerar 173 cv, com etanol.

Jipe de sultão

As apostas são altas nos novos jipes G63 Brabus 620 e 700, que são importados para o Brasil. O primeiro está chegando por US$ 350 mil e o segundo desembarca em janeiro por US$ 565 mil. No pacote, o SUV mais possante ( e caro) do mercado, com mais de 700 hp, suspensão regulável e rodas aro 21.