Por bferreira

Quênia - Mais de 100 mil elefantes africanos foram mortos, entre 2010 e 2012, por traficantes que ambicionam os altos lucros do comércio do marfim, obtido com a retirada das presas do animal, para o mercado de esculturas e joias. Com isso, a população da espécie já caiu em 62% entre 2002 e 2011. O drama se repete com os rinocerontes. Na África do Sul, onde ocorrem 94% das caçadas ao bicho, a cada oito horas um deles foi morto em 2014 para a retirada do chifre (1.215 no total). No Oriente, acredita-se que o material, feito de pelos e queratina, tem poderes medicinais.

Para evitar venda de marfim%2C governo do Quênia incinera estoques apreendidosReuters

Para tentar combater este tipo de crime, a ONU (Organização das Nações Unidas) lançou campanha com o mote ‘É hora de levar a sério o crime contra a vida selvagem”. “Combater este crime não é só uma questão de conservação e desenvolvimento sustentável, mas um ato que contribui para a paz e segurança em regiões problemáticas onde os conflitos são alimentados por estas atividades ilegais”, afirmou o secretário-geral da organização, Ban Ki-moon.

A missão é difícil. Um quilo de marfim rende cerca de 2,1 mil dólares (R$ 6,3 mil) no mercado negro da China, por exemplo. Os presas de um único destes mamíferos, adulto, podem pesar 100 quilos. Já o chifre de rinocerontes, usado na medicina tradicional asiática, pode ter o preço comparado ao do ouro no mercado ilegal, com o quilo chegando a valer cerca de 66 mil dólares (R$ 198 mil), segundo diferentes fontes.

‘CICATRIZES NO MUNDO’

O alerta da ONU, dizem os informes da organização, enfatiza a importância de engajar todos os setores da sociedade que produzem e consomem produtos derivados de animais selvagens — incluindo remédios, alimentos, material de construção, móveis, cosméticos, roupas e acessórios.

“O crime contra a vida selvagem é um crime organizado transnacionalmente, que gera bilhões de dólares e mina o desenvolvimento. É também um crime inter-geracional que pode deixar cicatrizes no mundo através da perda de algumas de suas criaturas mais bonitas. Para parar isso, devemos atuar agora”, reivindicou o diretor executivo do Escritório da ONU sobre Drogas e Crime, Yury Fedotov.

A organização também alertou sobre o tráfico ilegal de grandes primatas vivos, colocados em cativeiros. A modalidade está crescendo tanto que já ameaça a sobrevivência na natureza de chimpanzés, gorilas e bonobos na África, e de orangotangos na Ásia.

Em busca de leis mais severas

O Programa da ONU para o Desenvolvimento vem buscando articular novas iniciativas para combater os crimes contra a vida selvagem. A ideia é minar a atuação dos criminosos com leis mais severas, o engajamento do setor privado e a maior colaboração entre governos de países da África e da Ásia.

Enquanto não surgem iniciativas globais, prosseguem ações isoladas. O presidente do Quênia, Uhuru Kenyatta, mandou incendiar 15 toneladas de marfim, dia 3, e prometeu que até o fim do ano serão destruídos todos os estoques do material extraído dos elefantes africanos, que podem chegar a 100 toneladas. A queima, disse ele, “faz parte da política do governo queniano para evitar que seja comercializado o marfim”. A quantidade incinerada representa cerca de 30 milhões de dólares (R$ 90 milhões). 

“O que temos feito para proteger a biodiversidade é pouco se compararmos com as ameaças ao meio ambiente”, declarou Kenyatta.

Você pode gostar