Pesquisadores buscam plano para preservar os jabutis da Amazônia

Equipe quer entender características físicas e comportamentais do animal, pouco conhecido cientificamente e considerado vulnerável à extinção

Por O Dia

Rio - O que é que o jabuti tem? Para aprofundar o conhecimento sobre hábitos e características físicas deste animal, pesquisadores do Instituto Mamirauá estão fazendo estudos de campo na Amazônia. A espécie é classificada como ‘vulnerável’ à extinção pela União Internacional para Conservação da Natureza. A falta de conhecimento científico sobre ela dificulta a elaboração de planos para protegê-la. 

Os animais são capturados com armadilhas de queda com iscas de peixe e%2C em seguida%2C pesados%2C medidos%2C marcados e%2C enfim%2C libertadosAmanda Lelis


Com a contribuição de moradores de comunidades ribeirinhas do Amazonas, a equipe do instituto desenvolveu metodologia eficaz de captura para pesquisas do jabuti-amarelo — como é nomeada na Amazônia a espécie, uma das poucas entre os quelônios terrestres brasileiros. Os animais são capturados com armadilhas de queda com iscas de peixe e, em seguida, pesados, medidos, marcados e devolvidos à natureza.

A marcação permite acompanhar o desenvolvimento do jabuti, no caso de uma recaptura posterior. Para o estudo da saúde do animal, são coletadas amostras de sangue, fezes e escama do casco, além da coleta de ectoparasitas, para análises em laboratório.

“Muitas pesquisas não conseguiram êxito, principalmente pela dificuldade de captura do animal. Não temos a maior parte das informações necessárias para qualquer tomada de decisão em relação à conservação. O que se sabe sobre jabutis vem principalmente de estudos em cativeiros: informações que podem não ser efetivas para os animais em vida livre”, afirma Thaís Morcatty, pesquisadora do Instituto Mamirauá. O estudo de campo é realizado nas Reservas Amanã e Mamirauá, no Amazonas.

A pesquisa possui várias vertentes: o estudo da ecologia e biologia do animal; de sua reprodução; de sua relação cultural com as pessoas das comunidades locais; e questões relativas à saúde da espécie, com a investigação de zoonoses.

Rizomar Freitas dos Reis é morador da comunidade Boa Esperança, localizada na Reserva Amanã, desde criança. Acostumado a andar na região, ele participa como assistente de campo e contribui para a pesquisa fornecendo informações importantes sobre o animal e os ambientes em que é comumente encontrado. “O jabuti é um bicho que você não vê como outros bichos: ele não faz ‘zuada’, não corre, não tem nenhum tipo de assovio, se esconde, é difícil de achar. É difícil de ver, mas tem muito por aqui”. 

Principal ameaça é a caça para consumo e comércio

As principais ameaças à sobrevivência dos jabutis são a caça para consumo e comércio, assim como o hábito da criação deles como animais de estimação, segundo Thaís Morcatty. Um monitoramento realizado pelo Instituto Mamirauá por 12 anos em dez comunidades das Reservas Mamirauá e Amanã estimou que a espécie está entre as oito mais caçadas da região. O estudo ressalta a importância de se buscar alternativas que aliem a conservação do jabuti e a consideração aos hábitos e necessidades dos habitantes locais.

O trabalho vai tentar entender quais as motivações para a caça, locais onde ocorre, fatores que a influenciam e também a relação cultural das pessoas com a espécie.

Rizomar dos Reis, assim como outros moradores, crê que o trabalho contribuirá para a conservação da espécie e o aumento de sua população. “É um bicho que é bacana, eu trabalho com gosto. É importante preservar”, afirma.

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