Por douglas.nunes
A decisão da Fifa de proibir a participação de investidores nos direitos econômicos dos jogadores já afeta o mercado do futebol brasileiro. A regra, entrará em vigor a partir do dia 1º de maio, mas já teve o primeiro impacto nesse início de ano. Os contratos firmados entre 1º de janeiro e 30 de abril não podem ter duração superior a um ano; já os assinados até o fim de 2014 poderão ser cumpridos, mas não prorrogados.
Nesta temporada, já em consequência da mudança, as contratações dos clubes foram mais modestas. Por enquanto, foram apenas três contratações que movimentaram uma grande quantia em dinheiro. Sendo que duas delas, Lucas Pratto, pelo Atlético MG, por aproximadamente R$ 13,5 milhões, e Marcelo, pelo Flamengo, por R$ 16 milhões, foram concretizadas ainda no fim de 2014, com ajuda de investidores, quando não existia limitação. A única feita já após as mudanças da regra foi a de Dudu, pelo Palmeiras, por R$ 9 milhões.
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De acordo com o sócio-diretor da Pluri Consultoria, Fernando Ferreira, com essa regra, os clubes brasileiros perdem seus principais financiadores na compra de jogadores. “Os times no Brasil não têm nenhuma capacidade de investimento. Por causa das dividas altíssimas e por não ter investidor (não serem clubes empresas). São entidades sem fins lucrativos com péssimo gerenciamento. Ou seja, sem dinheiro para contratar.”, disse Ferreira.
Com as mudanças, as vendas de jogadores para o exterior também deverão sofrer uma redução nesta janela de transferência, que se encerra em 1° de fevereiro. Ferreira acredita que os clubes europeus se retraíram neste início de ano por considerar a próxima janela favorável a eles. “Os investidores que detêm direitos econômicos ficarão propensos a se desfazer de seus ativos (jogadores), para não correr risco de uma grande desvalorização perto do fim do vínculo. O Lucas Silva, do Cruzeiro, é um exemplo: o Real Madrid desistiu porque vai esperar a próxima janela”, disse Ferreira.
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Para o consultor da BDO Brazil, Pedro Daniel, a novidade deve ter, entretanto, um impacto interessante no médio prazo, trazendo mais transparência. “Os clubes não terão a oportunidade de fazer fluxo de caixa diluindo os direitos dos atletas com investidores, o que será positivo”, disse.
O mercado agora também deverá se ajustar, com a saída desta terceira parte. “Muito provavelmente os passes sofrerão um ajuste de preço (redução), pois temos um player a menos, que inflacionava os preços”, completou Pedro Daniel.
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Segundo os consultores, os efeitos de longo prazo, porém, vão depender da “criatividade” do mercado em buscar soluções alternativas, mas que a tendência é aumentar a utilização de jogadores da base. “Tudo indica que o impacto será importante e estrutural, levando os clubes a acelerar seus ajustes financeiros e a considerar a possibilidade de atrair sócios investidores no futuro, o que até hoje tem sido um tabu por aqui. Enquanto isso, devem usar mais a base, pela falta de capacidade de investimento”, disse Ferreira.