Analistas esperam alto grau de volatilidade nos negócios em meio a preocupações sobre o possível avanço dos juros nos EUA e expectativa pela divulgação do balanço da Petrobras

Por O Dia

Após três pregões de queda e dois de ganhos, o Ibovespa termina a primeira semana cheia de 2015 com leve alta de 0,68%. Entretanto, no ano, o saldo é negativo, com desvalorização de 2,33%. Em meio ao recuo gradativo no preço do petróleo, expectativa pela divulgação do balanço não auditado da Petrobras e preocupações sobre a elevação da taxa de juros nos Estados Unidos, o principal índice da Bovespa segue com viés de baixa para os próximas sessões. De acordo com analistas, a palavra da vez no mercado acionário é “volatilidade”.

Nesta sexta-feira, o Ibovespa sofreu pressão principalmente do setor elétrico e fechou com desvalorização de 2,21%, aos 48.840 pontos. “Esperamos bastante volatilidade na próxima semana, mas se o índice ultrapassar os 51 mil pontos, pode haver uma recuperação. Entretanto, se perder o patamar dos 47.200 pontos, a tendência é que caia até os 45.800 pontos - a mínima do mês de dezembro”, pontuou o analista da Clear Corretora, Fernando Goes.

O estrategista-chefe do Banco Mizuho, Luciano Rostagno, acredita que o desempenho do Ibovespa vai refletir principalmente a divulgação dos indicadores econômicos. Na agenda do Brasil, um dos destaques será o dado de vendas no varejo referente a novembro, a ser conhecido na quarta-feira. Na quinta-feira, será divulgado o IBC-BR também de novembro - o índice do Banco Central é considerado uma prévia do Produto Interno Bruto (PIB). A consultoria LCA projeta queda de 0,4% na comparação mensal. Vale destacar que a Petrobras se comprometeu em divulgar o balanço do terceiro trimestre do ano passado, não auditado, até o fim de janeiro – ou seja, pode sair a qualquer momento.

Nos Estados Unidos, os discursos dos presidentes regionais do Federal Reserve (Fed, o banco central norte-americano) devem globalizar as apostas sobre quando começará a escalada dos juros. Após dados fortes do mercado de trabalho do país – a taxa de desemprego é a menor dos últimos seis anos (5,6%) - os agentes avaliam a possibilidade de o Fed promover um aperto monetário.

“Mesmo diante do recuo da taxa de desemprego, os salários tiveram queda em dezembro. Além disso, a delicada situação da economia da Europa e do Japão deve fazer a autoridade monetária precificar um risco de contágio. Em meio ao cenário, a alta do juro deve ficar mais para o meio do ano”, afirmou Rostagno, para quem os indicadores de oferta e demanda da agenda norte-americana devem ser olhados com atenção. Na quarta-feira, será divulgado o número de vendas no varejo referentes a dezembro. Na sexta-feira, a produção industrial de dezembro será conhecida.

Na China, a agenda traz dados da balança comercial, empréstimos e crédito – todos referentes ao último mês de 2014. Os números geralmente mexem com as ações de empresas ligadas às commodities no Brasil.

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