Por O Dia

"O PMDB conseguiu colocar a presidenta e o PT como reféns de sua agenda. O jogo do aperta e afrouxa já era forte antes e se agravou com a vitória de Cunha"%2C comenta DelgadoDivulgação

Forças contrárias a Dilma no Congresso começam a admitir que uma derrota do governo nem sempre significa uma vitória para a oposição. A conclusão vem de duas semanas de trabalho na Câmara após a ascensão de Eduardo Cunha (PMDB-RJ) à Presidência da Casa e os posteriores sinais de reaproximação entre peemedebistas e a equipe de articulação da presidenta. É certo que a oposição conseguiu vitórias contra o governo no período, mas Cunha já começa a dar sinais que a temporada de caça à governabilidade está próxima do fim. “O PMDB conseguiu colocar a presidenta e o PT como reféns de sua agenda. O jogo do aperta e afrouxa já era forte antes e se agravou com a vitória dele”, comenta o deputado Julio Delgado (PSB-MG), que foi um dos adversários de Cunha na disputa.

Um dos exemplos da forma como os interesses do PMDB estão em primeiro plano, para Delgado, é a movimentação para a aprovação da regra que impede partidos recém-criados a se fundirem até completar cinco anos. A proposta é vista como mais uma alteração de ocasião na legislação partidária antes de uma reforma política de fato. “É mais um remendo e os tecidos muito remendados rasgam em algum momento”, compara. Ele lembra que o próprio PSB chegou a discutir uma fusão com o PPS, mas desistiu em função do entendimento que a união formal das duas legendas não permitiria a entrada de deputados com mandato, mas abriria a porta de saída para descontentes. Os dois formaram uma federação de partidos com o PV e o Solidariedade (uma das legendas criadas na última legislatura, assim como o Pros, o PSD, o PEN e o PPL).

PEC da Bengala: para além da ocasião

O parlamentar mineiro defende a aprovação da PEC da Bengala, que aumenta a idade de aposentadoria compulsória de ministros de tribunais superiores e do TCU de 70 para 75 anos. Admite que existe uma razão prática: evitar que a presidenta Dilma faça cinco novas indicações para ministros do STF durante o segundo mandato. Caso a norma seja alterada, ela passa a fazer apenas uma, da vaga em aberto desde a aposentadoria de Joaquim Barbosa. Mas diz que a questão extrapola isso, pois é importante aproveitar a experiência dos juízes e a expectativa de vida aumentou não só no Brasil nos últimos anos. A PEC sofre resistência das entidades jurídicas.

Torcida contra

Ao culpar a Prefeitura de São Paulo por atrasos nas obras do Itaquerão, a diretoria do Corinthians, na avaliação de um conselheiro do clube, faz pressão e joga a torcida contra a gestão petista para forçar a liberação dos R$ 420 milhões do CID (Certificados de Desenvolvimento ao Incentivo).

Cunha não mudou de igreja

O presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-SP), não se desligou da igreja evangélica Sara Nossa Terra, diferentemente do que foi noticiado. Há duas semanas, ele participou de um culto na Assembleia de Deus de Madureira, no Rio, em agradecimento a Deus pela conquista da presidência da Câmara. No evento, ganhou uma carteira de membro da Assembleia. O presente, então, foi visto como uma possível mudança de denominação do parlamentar.

Peemedebista é próximo de pastor

Eduardo Cunha tem ligações com a Assembleia de Deus Madureira, que sempre lhe deu apoio político. O peemedebista é próximo do pastor Abner Ferreira, filho do líder máximo da igreja, o bispo Manoel Ferreira. Na Sara Nossa Terra, no entanto, fieis asseguram que ele continua membro da denominação “e ninguém vai ficar discutindo isso”. Cunha é também muito amigo, há mais de 15 anos, do bispo Robson Rodovalho, presidente da Sara

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Com Leonardo Fuhrmann

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