Por O Dia

Também estavam presentes representantes dos 27 diretórios estaduais. Mas o tesoureiro João Vaccari Netto, um dos acusados que teve a denúncia aceita pelo juiz Sérgio Moro, não compareceu. No encontro, os dirigentes concluíram que a legenda é alvo de uma campanha de “cerco e aniquilamento”, semelhante à investida que sofreu durante a disputa de Lula contra Collor em 1989, quando o sequestro do empresário Abílio Diniz foi atribuído a militantes petistas. Não se permitiu o acesso da imprensa, mas participantes revelaram que o ex-presidente pediu ânimo aos correligionários e defendeu maior engajamento com a militância e os movimentos sociais.

Foi inevitável tratar da situação delicada do tesoureiro Vaccari, cujo afastamento é sugerido pelo ex-governador Tarso Genro. Mas o presidente do PT, Rui Falcão, insistiu em que “quem é acusado não necessariamente é culpado” e empurrou a decisão para a próxima reunião do diretório nacional no próximo dia 17. O grupo Mensagem, de Genro, decidiu aguardar. O que saiu de concreto foi um manifesto dos 27 diretórios, que apresenta dez propostas consideradas essenciais para enfrentar o atual momento. O documento tem três páginas, cuja maior parte foi consumida pela longa introdução. O texto afirma que “querem fazer do PT bode expiatório da corrupção nacional e de dificuldades passageiras da economia, em um contexto adverso de crise mundial prolongada”. Ainda na linha de vítima, adverte: “Para isso, vale tudo. Inclusive, criminalizar o PT — quem sabe até toda a esquerda e os movimentos sociais”.

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Obviamente, a interpretação da cúpula petista parece se descolar da realidade. Mesmo porque, entre os principais críticos dos rumos do partido, aparecem nomes que participaram dos anos de fundação, com destaque para o Frei Betto e os senadores Marta Suplicy, Paulo Paim e Walter Pinheiro, entre outros. Curiosamente – para não falar de clara contradição – o documento faz a seguinte ressalva: “Ao nosso 5º Congresso, já em andamento, caberá promover um reencontro com o PT dos anos 80, quando nos constituímos num partido com vocação democrática e transformação da sociedade – e não num partido do ‘melhorismo’”.

No mesmo diapasão autocrítico, o manifesto diz que é preciso “dar mais organicidade ao PT, maior consistência política e ideológica às direções e militantes de base, afastar um pragmatismo pernicioso, reforçar os valores da ética na política, não dar trégua ao 'cretinismo' parlamentar”. E destaca ainda que o PT deve atuar não apenas no momento das eleições: “Queremos um partido que pratique a política no quotidiano, presente na vida do povo, de suas agruras e vicissitudes, e não somente que sai a campo a cada dois anos, quando se realizam as eleições”. Está claro, portanto,que o partido de Lula faz mea culpa e reconhece seu afastamento das demandas populares e também a acomodação ao status quo.

Como ponto número um de sua estratégia para resgatar a imagem, o manifesto propõe a abertura de “um amplo processo de debates, agitação e mobilização em defesa do PT e de nossas bandeiras históricas”. Em outros tempos, essa receita funcionou. E agora? Será que vai dar certo?

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